25 julho 2006

O Passeio dos Alegres

Manuel Alegre

Ao contrário do que boa gente quis fazer crer, tenho para mim que a notícia apresentada sobre fundo azul na primeira página do Correio da Manhã desta segunda-feira é uma boa notícia. Por várias razões, das mais genéricas às mais particulares, pessoais até.

Saber que Manuel Alegre, O Lírico, tem direito a uma reforma no valor de €3.219,95 por mês que deriva da sua passagem de três meses, em 1974, pela direcção dos Serviços Criativos e Culturais da Rádio Difusão Portuguesa é um alívio. Numa altura em que os eleitos pedem esforços infindáveis aos cidadãos para evitar a falência da Segurança Social, que melhor notícia para a comunidade do que saber que a Caixa Geral de Aposentações, que trata destes assuntos para a Função Pública, tem assim uns 600 contecos para dar a um camarada? Temos Segurança Social.

Fico ainda mais satisfeito por ter estima pessoal, concretamente, por muitos dos profissionais que actualmente exercem o seu trabalho na Antena 3, uma das estações públicas de rádio. Do José Mariño ao António Freitas, do Carlos Cardoso ao Fernando Alvim, do Henrique Amaro ao Nuno Calado, do Nuno Markl ao Rui Estevão, da Mónica Mendes ao Luís Franjoso, do Gonçalo Castro ao Ricardo Sérgio. Estou francamente feliz por eles, por saber que tenho que preocupar-me mais com a minha velhice do que com as suas. Se em três meses -- de que se esqueceu -- Manuel Alegre conquistou o direito a 600 contecos mensais, qual é a dúvida de que estas pessoas de que gosto serão futuros milionários?

Além disso, e mesmo sem querer, a Caixa Geral de Aposentações acaba, com esta acção, de enviar uma mensagem de incentivo e esperança para os milhares de recém-licenciados ou por licenciar em Comunicação Social. "É isto que temos para vós", parece dizer aquele organismo público. Assim sim, dá para acreditar que os dias vestidos de cinzento escuro estão a acabar.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

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