27 novembro 2006

Vídeo Maria 4



Já que estamos nisto, aqui fica mais um mimo.

A visão que cada um tem do seu país é, naturalmente, legítima e respeitável. É por isso que peço carinho e respeito por esta demonstração de nacionalismo de finíssimo recorte literário e estético. Alguém quer que esta seja a imagem de Portugal no mundo. Valente!

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Video Maria 3



Contava só colocar este quando a procura se estendesse sem grandes resultados.

Não é ainda o caso. O caso é que este me provoca gargalhadas descontroladas e admiração por quem leva com uma destas sem perder a compostura. Fosse eu e quer-me parecer que a resposta seria substancialmente pior do que a alocução do telespectador.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Silêncio



Não estou apenas caladinho. Estou aborrecido, tenso e expectante.

Pela primeira vez em mais de dois anos, separo-me involuntariamente de um grande amigo, o meu iBook. Está, digamos, em coma.

Depois de consultar uma loja e de me pedirem 600 euros para me resolverem um problema sem sequer terem aberto o meu amigo, está há uns dias em casa do Pedro Gonçalves. Não eu, mas o músico dos Dead Combo, que domina a arte da ressureição dos Macs.

Que Deus o proteja. Quando ele voltar a mim eu volto ao blog. Até lá não consigo, estou em sofrimento por ele.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

11 novembro 2006

Abençoado!



Os mais iluminados saberão, por esta altura, que desde quinta-feira que em 105.4 (Grande Lisboa) só se ouve "chuva". Foi uma peça do emissor que foi para o galheiro depois de uma trovoada. Nova peça teve que vir de Londres (um luxo!) e só na sexta-feira à noite parecia estar disponível. Portanto, a qualquer momento tudo voltará ao normal.

Tudo isto para dizer que, munido da mais louvável dedicação e do mais brutal estoicismo, gravei na mesma o Transistor Patuá que é suposto ir para o ar este sábado (hoje, dia 11) a partir das 16h00. Se houver emissor, pois lá vai para o ar. Se não houver, transi(s)ta para o próximo fim-de-semana. Felizes aqueles que acedem a esta cubata virtual e podem ouvir tudo com ou sem emissor.

Reza assim o alinhamento desta emissão:

Sound Dimension: "Bitter Blood"
Jackie Mittoo: "Hot and Cold"
Augustus Pablo: "Too Late"
Junior Dread: "Sufferers Heights"
Junior Murvin: "Bad Weed"
The Upsetters: "Rastaman Shuffle"
Norma White & Brentford Disco Set: "I Want Your Love"
The Melodians: "Sweet Sensation"
Bob Marley and The Wailers: "I'm Still Waiting"
Little Joe: "Red Robe"
Justin Hinds: "Carry Go Bring Come (Rock Steady)"
Lone Ranger: "Tribute to Bob Marley"
Winston Wright: "Musical Date"
The Observers: "Chapter Ten"
Roland Alphonso: "Nimble Foot Ska"
Barrington Levy: "Sweet Reggae Music"

Gregory Isaacs: "Bend Down Low"
Johnny Clarke: "None Shall Escape the Judgement"
Sugar Minott: "Jah Jah Children"
Desmond Dekker: "Go and Tell My People"
Cedric Im Brooks: "Shaft"
Prince Buster: "Big Five"
Otis Gayle: "I'll Be Around"
The Heptones: "You've Lost That Loving Feeling"
Alton Ellis: "I Don't Want to Be Right"
Jennifer Lara: "I Am in Love"
Prince Fari: "Deck of Cards"
Blake Boy: "Deliver Us"
Tommy McCook & The Discosonics: "Tenor on the Call"
Horace Andy: "Just Say Who"
Lloyd and Devon: "Push Push"

Para aceder, subscrever, sacar ou piratear o estonteante podcast desta emissão, basta seguir o link na barra da direita, logo abaixo do meu alucinante perfil.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

09 novembro 2006

Video Maria 2

A internet é, como se sabe, um meio privilegiadíssimo para difundir propaganda. Mas tem muito mais encanto quando a propaganda que difunde parece pertencer a uma era em que a internet era coisa rigorosamente nenhuma. A Juventude Socialista de Felgueiras aposta no formato slide show para enaltecer os seus feitos. Tem grandes momentos. Recomendo a visualização dos primeiros cinco minutos sem som. Aí entra a Visita às Freguesias 2005 ao som d'"A Internacional". Voltando, em seguida, aos trechos musicais de fugir; para, num inesperado volte-face, fazer entrar "Grândola Vila Morena". Para ser perfeito só lhe falta a cara de pau de Fátima Felgueiras quando regressou do Brasil.



Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Dubstep @ BBC



A tecnologia tem coisas muito interessantes. Ontem, ao entrevistar Mala (à direita na foto), um dos elementos dos Digital Mystikz, deparei-me com a impossibilidade de encontrar via Google um documentário de que o meu interlocutor me falava. Nenhum problema. Segundos depois, mandava-me o link por mail e estávamos a ver o mesmo em simultâneo.

Os Digital Mystikz, mais conhecidos apenas como DMZ, são responsáveis por algumas das mais estimulantes noites clubistas britânicas, particularmente em Brixton, Sul de Londres. Estarão em Lisboa a 18 de Novembro para, juntamente com Loefah, mostrarem no Ateneu Comercial com que linhas se cose actualmente o cada vez mais proeminente dubstep.

Para quem não faz a mais pálida ideia de que é que estou a falar, aqui fica o link para um pequeno documentário BBC Collective, da televisão estatal inglesa, sobre o fenómeno e os seus protagonistas. Sempre a aprender. Experimente clicar AQUI.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Video Maria 1

Apetece-me inaugurar qualquer coisa. Inauguro, por isso, o espaço Video Maria. É uma espécie de "Portugal em Vídeo", um conglomerado de estilhaços de não sei quantos portugais. A coisa pode ir de um vídeo dos Buraka Som Sistema a um outro do José Cid. Não, José Cid é demais. Tudo cortesia YouTube, obviamente.

O primeiro da série é, parece, a segunda parte de um best of do antológico programa de televisão Liga dos Últimos, da RTPN. Perdoai a imagem, mas este fez-me deitar Coca-Cola pelo nariz numa gargalhada. Maravilhoso, hiper-realista.



Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

08 novembro 2006

UM #2

Na edição número dois do UM, assina o garboso escriba prosas críticas sobre o álbum "Passover", dos Black Angels, e sobre o documentário "Lusofonia, a (R)Evolução", da Red Bull Music Academy.

Nota: o UM passou a ser distribuído gratuitamente em mais locais, a juntar às lojas Fnac de todo o país.

A saber:

Coimbra
XM (Rua de Quebra-Costas, 7)

Lisboa
Flur (Av. Infante D. Henrique, Armazém B4)
Trem Azul (Rua do Alecrim, 21 A)
ZDB (Rua da Barroca, 59)

Porto
Jo Jo's (Rua de Cedofeita, 509)
Louie Louie (Rua do Almada, 501)
Maus Hábitos (Rua Passos Manuel, 178 - 4º)
Passos Manuel (Rua Passos Manuel, 137)

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

A reportagem perdida



Cansei-me de ter esta prosa guardada. Está feita há meses, quando ainda pouco se tinha escrito sobre o assunto. Devia ter saído na extinta SLANG. Os donos desapareceram. A prosa não.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

BURAKA SOM SISTEMA
E DURO, E DURO, E DURO…


Texto de Pedro Gonçalves aka Boldfinger
Ao som de Diplo, Favela Strikes Back (Hollertronix 2005); Cocteau Twins, Lullabies to Violaine (4AD 2006); Spank Rock, YoYoYoYoYo (Big Dada 2006)
Fotografias de Ana Gilbert


Sexta para sábado, 19 para 20 de Maio, cerca das três da manhã

Há dias em que determinadas coincidências fazem ponderar, ainda que por escassos instantes, sobre a existência de uma qualquer força cósmica/espiritual que organiza cruzamentos entre pessoas. Numa tarde de sexta-feira de Maio, sabendo que iria poucos dias depois entrevistar o Buraka Som Sistema, sento-me em frente a um browser e faço uma pesquisa no Google pelo nome do colectivo. Aparece então, de pronto, a indicação do albergue do Buraka Som Sistema no MySpace (www.myspace.com/burakasomsistema) e aí, por sua vez, deparo-me com o facto de que, no serão desse mesmíssimo dia, o Clube Mercado, na Rua das Taipas, receberia a segunda actuação mensal deste pioneiro projecto de exploração do universo do kuduro. Nem foi tarde nem foi cedo.

Seriam, portanto, umas três da manhã e das colunas do Mercado saíam beats digitais a puxar pelos graves, apontamentos electónicos a esticar os agudos e a prestação de três MCs tão diferentes como presentemente dedicados à difusão, em Lisboa, daquilo que diariamente se vai fazendo em Luanda em matéria de música assumida e ostensivamente hedonista.

No Clube Mercado estão muito mais pessoas brancas do que pretas. Isso surpreende-me sobremaneira, mais ainda quando recordo 26 anos a viver junto de bairros como o 6 de Maio e a Cova da Moura, ali mesmo juntinho à Damaia. Ora se o kuduro é de inspiração angolana e é conhecida a mobilidade em massa da comunidade africana para locais de prazer nocturno com música a condizer com as raízes, que coisa estranha se passava ali? De onde saíam, inclusivamente, alguns grupos de betos engomados que ali aterravam? Hoje a explicação parece-me relativamente simples: além do engano que por vezes se dá quando se escolhe um espaço para passar umas horas, o Buraka Som Sistema faz aquilo que mais ninguém faz: tornar acessível a ouvidos, digamos, “ocidentalizados” um som que na sua génese é sobretudo uma dança frenética, vagamente erótica e muito ligada à maravilhosa negritude do tom de pele. O que há, portanto, é uma data de curiosos, mais um número apreciável de freaks que está já perfeitamente convertido a esta forma de queimar calorias de forma muito pouco onerosa. Surpreendentemente, dos mais improváveis corpos saem as mais inspiradas manobras de dança.

No formato “ao vivo”, o Buraka Som Sistema tem em Lil’ John e Riot (ambos da Cooltrain Crew) os manipuladores dos discos e em Kalaf (Spaceboys, 1-Uik Project, etc. etc. etc.), Conductor (Conjunto Ngonguenha, entre numerosas outras colaborações) e Petty (ilustre adolescente desconhecida com o diabo no corpo e na voz) os MCs que colocam as palavras de ordem em seu sítio, em jeito de hooks e word-ups também comuns a outros géneros. O que ali se passa é, basicamente, kuduro. Mesmo que haja quem lhe chame nu-kuduro, kuduro digital ou kuduro progressivo. E o calor, que em Lisboa já não é pequeno na ocasião, atinge naquela cave níveis absolutamente lânguidos.

Sexta, 2 de Junho, cerca das quatro da tarde

Não estou na Buraca. Estou em Campo de Ourique, bairro lisboeta há muito conhecido pela sua produtividade em matéria musical urbana. É aí que se situa a Enchufada, de que Lil’ John e Kalaf têm vindo a ocupar-se nos últimos tempos. Além de funcionar como editora, na Enchufada é já possível encontrar um mini-escritório e um estúdio dividido entre régie e sala de gravação. Kalaf e Lil’ John já por ali andam, como todos os dias, e à medida que vão desfilando nos monitores do estúdio os temas do próximo álbum do 1-Uik Project, com edição aprazada lá para Setembro, vão também chegando Riot e Conductor. A ocasião serve ainda, não apenas para ouvir aquilo que está já feito para o primeiro EP do Buraka Som Sistema (que inclui temas como “Yah!”, “Wababa”, “Com Respeito” e “Sem Makas”), como, para delícia e aprendizagem do repórter, fabricar no momento uma compilação com alguns temas representativos do kuduro que vem sendo feito em Angola e no qual, à falta de representantes portugueses do género, o colectivo se vai inspirando. Dizem, sem reservas, que todas as semanas conseguem ouvir produções cada vez mais evoluídas, ao mesmo tempo que vão exploirando os universos de gente como Dog Murras e Sebem. Sebem que, curiosamente, é o autor de “Felicidade”, que há não muitos anos foi praticamente apresentado por Hélder, o Rei do Kuduro como uma produção própria, é-me então contado. A opinião sobre esse fenómeno monárquico do kuduro é, de resto, consensual entre os meus interlocutores: fez mal ao género. Tenho a certeza de que muitos desconfiariam já desse facto.

Nos temas, ainda a precisar de mistura, trabalhados para o EP de estreia, o Buraka Som Sistema faz por “organizar” aquilo que ao vivo é exponencialmente mais caótico, espontâneo e permeável às surpresas momentâneas. A ideia é, então, criar linhas rítmicas acopladas a melodias simples e electrónicas sobre as quais se espraiam as palavras de ordem e de prazer debitadas em boa parte por Petty e adornadas pelo tom masculino de Kalaf e Conductor. O EP é, por assim dizer, uma espécie de teste público para ver o que dali pode vir num futuro mais ou menos próximo, conforme a reacção de quem o escutar. É que não deixa de sentir-se no ar a dúvida: resultará em estúdio aquilo que tão bem resulta em palco?

A génese do Buraka Som Sistema pode, de acordo com Lil’ John, identificar-se no final do Verão de 2005, numa viagem a um lendário ícone da cidade de Lisboa: a Feira da Praça de Espanha. “Fui eu, o Kalaf e o Rui (Riot). Andávamos a falar disso já há algum tempo e houve um dia em que decidimos lá ir e comprar umas três compilações de kuduro. Comprámos uma chamada Angola em Festa, uma do MC ou DJ Costeleta e outra coisa qualquer. A primeira coisa que fizemos foi fecharmo-nos, eu e o Rui, a ouvir os beats e a fazer como que re-edits dos sons. Uma coisa que achámos engraçada, e nós não percebemos muito de notas de música, foi o facto de haver sons que estavam fora de tom com as vozes e o resto. Por exemplo, havia casos em que, por cima de um instrumental, o que estava a acontecer era uns a passar o microfone aos outros. Quase que se ouvia o microfone a passar de mãos. Mesmo os próprios refrões aparecem na música numa altura qualquer. É fixe, mas numa versão mais ocidentalizada das coisas não faz muito sentido. Essas sempre me pareceram barreiras para que o kuduro fosse uma música passível de ser ouvida por muito mais pessoas”, explica o DJ e produtor. A cirurgia aplicada aos sons originais foi, em boa parte, motivada por duas noites que então a Enchufada tinha agendadas, uma para o Lux, em Lisboa, e outra para a Casa da Música, no Porto. A Casa da Música foi a madrinha do Buraka Som Sistema: durante a actuação, “e no Porto nunca se vêem muitos blacks” (Lil’ John), começaram a difundir a mensagem de que aquele era o som da Damaia, da Buraca, da Reboleira. Pouco tempo depois, Conductor junta-se à missão e traz consigo “a MC sensação do kuduro lisboeta”, Petty. Nasce então “Yah!”, um dos temas a incluir no citado primeiro EP do colectivo.

Se tanto ao vivo como em disco há na facção masculina do Buraka Som Sistema o lado mais cerebral que define as coordenadas da música, é na adolescente Petty que se encontra a ligação com os prazeres imediatos da dança que sempre faz falta. Conductor explica a “contratação milionária”: “A Petty é sobrinha da minha namorada. Apareceu lá em casa e vi que tinha muito power. Tudo o que ouve, decora e canta. E muitas vezes tem mais power do que o artista original. Achei que não podia ficar em casa trancada. Primeiro pu-la a gravar umas cenas de rap. Ela estava um bocado de pé atrás em relação ao kuduro, porque ainda é visto como música dos subúrbios. Há um bocado aquela divisão: o semba é música da city, o kuduro é música do gueto. Mas quando viu a motivação e o apoio das pessoas ficou mentalizada para isto”. Antes disso, também Conductor havia recebido um convite de Kalaf para dar uma mãozinha ao Buraka Som Sistema. A motivação de Kalaf teve, em boa parte, origem na banda-sonora desse Verão, precisamente o Conjunto Ngonguenha. “Achámos que era necessário o contributo de alguém que não tivesse uma ideia tão formatada sobre a dance music, alguém que chegasse com ideias frescas sobre o que estávamos a fazer. Como no Conjunto Ngonguenha o Conductor conseguiu mesclar de forma fantástica o hip hop com certos elementos da música angolana, era a pessoa certa. Quando falei com ele, perguntei-lhe quais eram os MCs à sua volta com energia e vontade de entrar numa coisa destas. Disse logo a Petty”, recorda. No momento estão já, “na lista de espera”, outros MCs para fazer outras coisas com o Buraka Som Sistema. Um deles é o rapper Tekilla.

Antes de se ligar o gravador, repórter e interlocutores estiveram longos minutos a discutir as designações já aventadas para a música do Buraka Som Sistema. Olhando para um flyer relativo ao Popular Soundclash, que decorreu em Lisboa na noite de Sto. António, lia-se “nu-kuduro” e em boa verdade nenhum dos presentes encontrava a lógica da definição, mesmo que um ou outro fosse mais condescendente com a velha questão da rotulagem. Repesco o assunto, agora para registo em fita. Conductor é o primeiro a chegar-se à frente: “A minha descrição é uma mistura de kuduro com música electrónica. O kuduro em Angola tem-se desenvolvido nos últimos três anos, tem chegado aos samples, e acredito que tem uma grande margem de progressão até ser um estilo sólido. Por isso nu-kuduro é demasiado forte”. Depois vem Lil’ John: “Uma jornalista do Público chamou a isto kuduro progressivo”. Riot: “O pessoal achou piada porque faz a ligação com o house progressivo e com tudo o que soa um bocadinho diferente, mesmo que não tenha progressão nenhuma. Identificamo-nos todos com o nome kuduro progressivo porque o estilo original ainda está em constante progressão. Todos os dias saem beats diferentes”. Kalaf, o mais intransigente de todos quando a conversa ainda era informal, prefere aqui calar-se em aparente concordância. Quando se fala de um dos mais proliferos criadores angolanos do estilo, Dog Murras, recorda-se que o que actualmente faz é misturar elementos da música angolana numa base dançante e electrónica. Chama-lhe kazukuta. “Tem que ser por aí, uma definição qualquer completamente nova”, diz Lil’ John. Imediatamente vamos do “psichichiri” ao “brokenduro”.

A forma como um determinado meio português se tem entregue às festas protagonizadas pelo Buraka Som Sistema é, para estes músicos, o resultado da tal fusão do kuduro original com elementos musicais que todos eles assimilam, do house ao drum’n’bass. É essa aproximação a uma realidade “ocidentalizada” e, mais concretamente, portuguesa que faz com que, por exemplo, nas sessões da Cooltrain Crew, as reacções mais efusivas surjam ao som de remisturas feitas para gente como os Taxi, os Blind Zero ou os Blasted Mechanism. É assim que o Buraka Som Sistema olha para a disseminação da sua música, mesmo havendo dúvidas sobre a viabilidade da dita nos espaços africanos mais “tradicionais”. Porque em relação ao kuduro propriamente dito não há pruridos, como verbaliza Conductor: “O kuduro é o género de música africana que põe mais gente na pista. Na noite africana há muito o vestir a rigor e o não-me-toques, mas quando entra o “Comboio” (um dos temas-emblema do kuduro angolano) é a loucura”. Kalaf acrescenta: “Essa é a beleza da música pop, a capacidade de juntar pessoas em torno de uma bandeira só, que é a nossa música. Estamos a falar do mundo lusófono. Todos nós temos um passado em África e todos nós temos um passado na Europa, que para nós é Portugal. O “Booty La La” (dos Bugz in the Attic) bate em Londres. Aqui bate a “Felicidade”, o “Comboio” ou o “Yah!”, que acabámos de produzir. Discute-se muito se a música portuguesa consegue apelar às massas, e é também por isso que fazemos o que fazemos”.

Ao mesmo tempo que assumem claramente estar ainda à procura da sua identidade suprema, os elementos do Buraka Som Sistema têm o feedback de pelo menos dois DJs que passaram já “Yah!” em noites londrinas com assinalável sucesso popular. “O factor que importa é haver elementos que esses DJs nunca ouviram. Quando ouvem o Buraka Som Sistema, além de haver um beat que podem usar na pista de dança, tentam identificar as coisas. “Tem um bocadinho de… Tem um bocadinho de quê?”. Vão ao Google e tentam perceber o que é. Não vou estar com falsas modéstias, esse foi um dos factores importantes que gerou isto tudo: descobrir uma cena massiva que estava a ser feita em Luanda e que pode ser tão nova aqui como no Japão”, afirma Lil’ John. Kalaf remata: “O mundo é tão pequeno que, se houver uma bomba em Lisboa, ela vai ouvir-se na Conchichina”. Sobre aproximações e comparações a géneros como o baile funk, o reggaeton ou o grime, entendemo-nos facilmente: as semelhanças estão no facto de serem músicas de periferia e de usarem meios relativamente rudimentares por falta de soluções melhores. Nada de confusões, portanto. Agora é a vez do kuduro. Progressivo, talvez. E, por ora, em Portugal esse está nas mãos do Buraka Som Sistema. Ali em Campo de Ourique.

Um aspecto formidavel

Gostos não se discutem. Lamentam-se.

Gosto deste novo aspecto d'1 Pouco Mouco.

Tem classe e ajuda a esconder a pobreza do conteúdo.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Nunca falha! (sort of...)



A ansiedade inerente à espera de mais um podcast do Transistor Patuá pode, de facto, ser dolorosa. Abençoados, por isso, os que podem experimentar a coisa em directo aos sábados, das 16h00 às 18h00, na Química FM (105.4 para a Grande Lisboa).

No último sábado, duas horas pontuadas pela revisão de parte da história gravada de Gregory Isaacs, rocker do amor que nesse dia actuou ao vivo em Lisboa.

Para os picuinhas, é este o alinhamento:

Sly & Robbie: "Cocaine"
Gregory Isaacs: "Don't Let Me Suffer"
DJ Nelassassin: "It's a Complow Remix"
Gregory Isaacs: "Loving Pauper"
Tenor Saw: "Ring the Alarm"
Freddie McGregor: "Natural Collie"
Beenie Man feat. Ms Thing: "Dude"
Toots & The Maytals: "Funky Kingston"
Carey Johnson: "Correction Train"
Gregory Isaacs: "The Sun Shines for Me"
Max Romeo: "Mr. Fix It"
Horace Andy: "Riding for a Fall"
Doreen Schaffer: "We're All Alone"
Hortense Ellis: "People Make the World Go Round"
Gregory Isaacs: "Intimate Lovers"
Sound Dimension: "Soulful Strut"

The Heptones: "Message From a Black Man"
Gregory Isaacs: "Too Late"
Vin Gordon: "Steady Beat"
Desmond Dekker: "Get Up Little Suzie"
The Wailers: "Simmer Down"
Gregory Isaacs: "My Only Family"
Derrick Laro and Trinity: "Don't Stop 'Till You Get Enough"
U-Roy & The Melodians: "You Don't Need Me (Take 5)"
Dennis Alcapone: "Cassius Clay"
Tommy McCook: "Harvest in the East"
Gregory Isaacs: "Mr Cop"
Tommy McCook, Richard Ace, The Skatalites and Disco Height: "Shockers Rock"
The Maytals: "Monkey Man"
Gregory Isaacs: "Bend Down Low"

E o que interessa aos bem-aventurados está, afinal, AQUI.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

04 novembro 2006

Progressive House Thoughts



Sinceramente, não sou muito de questionar as opções destes freaks que, não orando a Jah nem aceitando a dimensão espiritual da sua existência, contactam amiúde com a transcendência.

Este cavalheiro não tem qualquer noção de cultura popular, obviamente, mas o seu legado maior para a Humanidade é aquele que me faz questionar: porque tens tu, eminência do cacete, o risco do lado errado do cabelo?

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.