22 março 2007

Salada Mista Sem Tomate #5



Epá, este está muito bom. Tem canções que nunca mais acaba. Dezasseis, para ser mais exacto. De Dick Dale aos Ripps. Valente.

O alinhamento:

1. The Ponys: "Double Vision" (Turn the Lights Out, 2007)
2. The Who: "The Seeker" (The Ultimate Collection", 2002)

3. The Bird and The Bee: "I Hate Camera" (The Bird and The Bee, 2007)
4. New Young Pony Club: "Get Lucky" (Get Lucky EP, 2006)

5. Apartment: "Fall Into Place" (Dreamer Evasive, 2007)
6. The Ripps: "Holiday" (Long Live The Ripps, 2007)

7. The Young Knives: "Loughborough Suicide" (Voices of Animals and Men, 2006)
8. The Rosebuds: "Cemetary Lawns" (Night of the Furies, 2007)

9. The Twang: "Wide Awake" (Wide Awake (single), 2007)
10. GoodBooks: "Leni" (Leni (single), 2006)

11. Dick Dale: "The Viktor" (King of Surf Guitar - The Best Of, 1995)
12. The Horrors: "Draw Japan" (Strange House, 2007)

13. Menomena: "Evil Bee" (Friend and Foe, 2007)
14. The High Llamas: "The Old Spring Town" (Can Cladders, 2007)

15. Wolfmother: "Joker and the Thief" (Wolfmother, 2006)
16. 120 Days: "Lazy Eyes" (120 Days, 2006)

O link, claro: SALADA MISTA SEM TOMATE.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

PS: Perdoai o estimado ouvinte, mas detectará certamente uma sobreposição sonora entre os Young Knives e os Rosebuds. Não era suposto. Transforma-se, portanto, numa valiosa raridade para todo o sempre.

16 março 2007

É um festival (elogio)



Se, na altura em que o prezado leitor se cruzar com estas linhas, toda esta informação estiver já desactualizada ou incompleta, não se preocupe. Ela será, com toda a certeza, aumentada a conta-gotas em diversas publicações (online e offline), com recurso à provecta estratégia de divulgar aos bochechos para nunca perder espaço mediático.

Ora bem: há já tempo considerável que em Portugal se realizam festivais de música de todos os formatos e em praticamente todas as épocas do ano. Dentro de portas, ao ar livre, de rock, de jazz, de world music, o diabo a quatro. Numa perspectiva puramente pessoal, alicerçada somente no meu gosto, os que mais me interessam são, por assim dizer, os que se mexem dentro da coisa pop com alguma atenção sobre a coisa dita alternativa. Pelo menos hoje.

Nesse sentido, não é de hoje que considero ser o Festival de Paredes de Coura o mais consistente de todos os que se assemelham com a descrição acima colocada. Vê-se que há naquela organização quem gosta de música e sabe onde ela nasce, por onde se desenvolve, onde desagua e dá frutos. Que o diga quem todos os anos para lá se desloca em Agosto com a certeza de que vai, entre outras coisas, descobrir música nova, daquela que 98,7% do espectro radiofónico não pondera difundir.

Outros festivais, maiores do que o de Paredes de Coura, piscam amiúde o olho ao universo dito alternativo, bastando para isso, por exemplo, lembrar duas passagens inesquecíveis pelo Sudoeste: os Portishead e os Franz Ferdinand. No entanto, há sempre aquele ponto em que um cartaz resvala para o chinelo, numa óbvia cedência à ideia pré-concebida daquilo que significa dinheiro fácil. Exemplo? Jamiroquai.

Acontece que, nestes primeiros meses de 2007, volto a entusiasmar-me com um festival realizado abaixo do rio Douro. Obviamente, o Super Bock Super Rock. Descontado o bizarro formato em dois actos (concorrendo directamente com o Rock in Rio nessa matéria), o 13º Super Bock Super Rock parece, visto daqui e a esta distância, um acontecimento praticamente histórico. No tal universo dito alternativo, mesmo com uns flirts atrás do biombo que nos separa do mainstream, esta edição tem uma consistência assinalável no cartaz.

No momento em que escrevo estas linhas, o site da Música no Coração (aquele que aqui tomo como o veículo oficial) anuncia: Metallica (28 Junho); Arcade Fire, Bloc Party, Klaxons, Magic Numbers, The Gift, Bunnyranch (3 Julho); Maximo Park e LCD Soundsystem (4 Julho); Scissor Sisters, Interpol, Underworld (5 Julho). O que me faz lembrar alguns eventos do tipo que se realizam na Europa civilizada. Com alguma dose de risco e aparente apego pelos trilhos mais acutilantes da produção musical popular. Haverá, com toda a certeza, quem tenha opinião totalmente contrária a esta ("É só música que ninguém conhece...", ecoa nos tímpanos). Talvez esses se desloquem meses depois a um Coliseu dos Recreios para ver uns Klaxons.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Salada Mista Sem Tomate #4



Muitas são as pessoas - milhares, talvez mesmo centenas... - que diariamente me abordam na rua com uma questão comum. Perguntam-se, além de tentarem desesperadamente levar-me para colocar sobre o napron em cima do televisor das avós, se actualmente nada mais tenho para partilhar com o mundo do que esta Salada Mista Sem Tomate. Se, além do podcast, eu não poderia escrever aqui "daquelas" coisas, "das minhas" coisas. Pelo ar diabólico com que perguntam isto, presumo que querem ler discursos sanguinários, maledicência e humor duvidoso.

Naturalmente, respondo que sim. Que não deixei, overnight, morrer um espírito verbalmente terrorista e francamente céptico. Simplesmente, a era presente - talvez por ser a do Porco - é de produzir. Terei, estimado leitor, chegado a uma preocupante maturidade: se a rádio como a conhecemos em Portugal é maioritariamente preenchida por excremento intelectual e musical, então mais vale que eu mostre que era eu quem lá - na rádio, entenda-se - devia estar. Reconhecerá nestas palavras o benquisto leitor alguma arrogância. É natural. Há quem confunda auto-confiança com arrogância.

Assim, e no intervalo de deambulações escritas intelectuais, fique o prezado freguês com mais uma edição da Salada Mista Sem Tomate. Uma edição especialíssima, vou já avisando. É que o signatário destas linhas tem uma predilecção secular pelo número quatro e por uma vasta miríade de simbologias que se lhe podem atribuir. E esta é a sessão - ou episódio, como gostam de chamar-lhe, em jeito de sitcom - número quatro. Esmerei-me, meu caro receptor. E o resultado é, digo eu, uma categoria.

Confira desde já o gentil leitor o alinhamento desta sessão:

1. The Horrors: "Count in Fives" (Strange House, 2007)
2. !!!: "All My Heores Are Weirdoes" (Myth Takes, 2007)

3. Wolf & Cub: "This Mess" (Vessels, 2007)
4. The Longcut: "Transition" (Call & Response, 2006)

5. The May Onettes: "Lost" (Lost EP, 2006)
6. The Rakes: "Suspicious Eyes" (Ten New Messages, 2006)

7. The Bluetones: "Head On a Spike" (The Bluetones, 2006)
8. Guillemots: "Trains to Brazil" (Through the Windowpane, 2006)

9. The Smiths: "This Charming Man [NY Vocal]" (CD Single, 1992)
10. The Boyfriends: "Brave Little Soldiers" (The Boyfriends, 2006)

11. Datarock: "Fa-Fa-Fa" (Datarock, reed. 2006)
12. The Aliens: "The Happy Song" (Astronomy for Dogs, 2007)

13. The Earlies: "When the Wind Blows" (The Enemy Chorus, 2007)
14. Los Campesinos!: "We Throw Parties, You Throw Knives" (MySpace, 2007)

Como habitualmente, e para que nada lhe falte, o link para a coisa, se não quiser ouvi-lo directamente nesta página no player lá para cima do lado direito: SALADA MISTA SEM TOMATE.

Já agora, nos sanitários públicos do seu bairro já se ouve a Salada Mista Sem Tomate? E na sua estação de rádio nacional preferida? Tome o poder nas suas mãos, estimado leitor. Revolte-se contra o silêncio que o ruído provoca.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

13 março 2007

Paulo Arraiano a Alastrar



Eu não tenho Sport TV. Diz que é caro. E eu gosto de coisas caras quando são oferecidas ou quando me sinto rico, ambas verdadeiras raridades. Por isso encontro formas tão tradicionais quanto alternativas para ver os jogos do meu Benfica na Sport TV. Ontem, por exemplo, fui ver o jogo a casa dos meus pais e deliciar-me com uma alheira.

Adiante, para encerrar a partilha da intimidade. Tinha, quando lá cheguei, à minha espera um envelope dos correios, daqueles almofadados e com um conteúdo, ele próprio, deliciosamente fofo. Sei, por experiência própria, que quando chega um envelope deliciosamente fofo o mais provável é que lá dentro venha uma t-shirt. Só mais um nadinha de intimidade: gosto muito de t-shirts e do que elas representam ou podem representar enquanto veículo de comunicação, muitas vezes mais do que do seu lado estético.

No caso presente, o assunto envolve estética e comunicação, o que é uma insuperável maravilha. A t-shirt foi-me gentilmente oferecida pelo Paulo Arraiano, que as concebe e as comercializa. Como tive a ousadia de elogiar esta criação (a da foto) num mail que lhe enviei após receber a sua mais recente mailing list, pediu-me as medidas (XL, obviamente) e a morada e pôs o objecto no correio, sem mais nem menos. Como sou imperfeito, agora é que venho elogiar o seu trabalho.

Conheci-o como designer das revistas SLANG e MAGNÓLIA, que fecharam as portas depois do desaparecimento dos proprietários Zézé Adão da Fonseca, Bruno Ribeiro dos Reis e Eduardo Storino. Além de designer gráfico acutilante, inspirado e inspirador, desenvolve a marca PALM, de t-shirts com as suas criações. São essas que agora aqui me trazem. Já há muito que tenho um link para o seu site aqui na barra à direita, mas esta recente oferta impeliu-me a retribuir (como posso) e destacar devidamente o que faz.

Assim, aqui ficam os links importantes para o caso:

- Paulo Arraiano
- PALM Shirts
- Add Fuel To The Fire

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Um regresso



É, digamos, um regresso. Depois de natural e saudável (para os telespectadores, naturalmente) afastamento dos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço d'Arcos, aí estarei na próxima 5ª feira, dia 15, numa das edições do Curto Circuito da SIC Radical.

A coisa permanece no ar, em directo, entre as 15h30 e as 18h30. No meu caso, devo ser chamado a intervir a partir das 17h00, digo eu. Vamos falar, discutir, aplaudir ou crucificar o fenómeno de impacto musical mais importante desde os despedimentos em massa nas editoras disccográficas: o MySpace.

Os leitores (e não apenas visitantes) regulares deste estabelecimento terão uma vaga ideia do que penso sobre o assunto. Como é previsível encontrar quem pense exactamente o contrário, promete-se coisa gira na 5ª feira à tarde. Se assim não acontecer, não terei com toda a certeza qualquer responsabilidade sobre o assunto.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

12 março 2007

Salada Mista Sem Tomate #3 (Agora a serio)



Hoje já não viria aqui se o caso não fosse importante. De relevância maior para o presente da Humanidade, praticamente.

Depois de uma noite brutalmente mal dormida, um dia consequentemente abananado, uma vaga má disposição e uma futebolada extenuante com dois golos para a conta pessoal de yours truly (o que seria irrelevante se eu não fosse guarda-redes), vir a este estabelecimento juntar letras e palavras é duro. Mas inevitável.

Porquê? Porque está finalmente disponível a terceira sessão da Salada Mista Sem Tomate, o tal podcast adorado por dois terços das donas de casa do eixo Moscavide - Portela de Loures. Andava desde quarta-feira a forçar sem sucesso o upload. Até que hoje, recorrendo à internet com marca Tele 2 que anima o lar de pai e mãe Gonçalves, a coisa fez-se. Com alguma resistência do serviço podOmatic, é certo, mas fez-se.

E é por isso, adorado leitor e ouvinte, que aqui venho vagamente combalido fazer esta muito aguardada comunicação ao universo. Agora só falta dar-lhe o alinhamento da coisa e, mais abaixo, o link. Se não quiser ocupar espaço precioso do disco rígido com esta horita da mais estonteante galhardia, experimente, por exempo, carregar no play deste útil player aqui à direita.

O alinhamento, então:

1. Brett Anderson: "Love is Dead" (Brett Anderson, 2007)
2. The Pipettes: "Pull Shapes" (We Are The Pipettes, 2006)

3. The Format: "Dog Problems" (Dog Problems, 2006)
4. Pixies: "Wave of Mutilation (UK Surf)" (The Complete B-Sides, 2001)

5. Jamie T: "Salvador" (Panic Prevention, 2007)
6. Just Jack: "I Talk Too Much" (Overtones, 2006)

7. Rock Plaza Central: "I Am an Excellent Steel Horse" (Are We Not Horses, 2006)
8. Dean & Britta: "Words You Used to Say" (Back Numbers, 2007)

9. Get Cape. Wear Cape. Fly: "Call Me Ishmael" (Tales of a Bohemian Teenager, 2006)
10. Grinderman: "Chain of Flowers" (Grinderman, 2007)

11. Inspiral Carpets: "She Comes in the Fall" (Life, 1990)
12. Teddybears feat. Iggy Pop: "Punk Rocker" (Soft Machine, 2006)

13. The Stooges: "She Took My Money" (The Weirdness, 2007)
14. The Long Blondes: "Giddy Stratospheres" (Someone to Drive You Home, 2006).

Para que nada lhe falte, estimado amigo, aqui está: SALADA MISTA SEM TOMATE.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

09 março 2007

Salada Mista Sem Tomate #3



Ainda não é o estimado podcast, benquisto leitor. Estou há dois dias a tentar fazer o upload do terceiro episódio do seriado Salada Mista Sem Tomate. Uma de duas coisas está a funcionar a uma velocidade e eficácia criminosas: ou a minha ligação à internet ou o serviço podOmatic. Seja o que for, está a irritar-me com alguma veemência. Tinha que vir fazer o aviso.



E já que aqui estou, e completamente fora de contexto (talvez não), uma banda. Uma só cujo nome e música está a apetecer-me imenso partilhar. Assim imenso, sei lá. São de Glasgow, chamam-se The Cinematics e, obviamente, têm uma página... AQUI. Já anda pelas lojas normais (leia-se Amazon inglesa) o primeiro álbum, Strange Education. Parafraseando um(a) anónimo/a numa comunidade de ouvintes de música, aquilo anda ali entre os Cure, os Television, os Magazine, os Wire, os Smashing Pumpkins, os Talking Heads, os Smiths (aí alto e pára o baile, naturalmente) e Jeff Buckley.



Desculpe lá o estimado leitor. Estava a sair daqui quando me lembrei desta. São outros gajos que estão a dar-me um prazer assinalável. The Horrors, de seu nome, revelados a partir de Londres. São, digamos, uns Cramps com uma vertente gótica "séria" (aqui, "séria" faz a sua diferença), umas costeletas punk muito mal passadas e uns conhecimentos aparentemente apurados em coiffure e make-up. Como toda a gente capaz de fazer som com uma campainha de bicicleta, têm página... AQUI. Nos tais locais onde a música dita alternativa ainda se vende (justiça se faça também à loja iTunes), encontra-se o álbum de estreia, Strange House.

Agora reparo na ligação entre os títulos dos dois álbuns...

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Food for thought



It is obvious that disc-jockeys, as a class, are essentially parasitic. We are, with lamentably few exceptions, neither creative nor productive. We have, however, manipulated the creations of others (records) to provide ourselves with reputations as arbiters of public taste. There is no more reason (nor no less) why I should be writing this column than you -- however I am in this unmerited position and you're not. I believe very much in radio as a medium of tragically unrealised possibilities and also the music i play. Therefore accepting the falseness of my own precarious position I will do what I can, wherever I can, to publicise these good things I hear around me. These musicians have made you aware of, and appreciative of, their music -- not J. Peel.

John Peel, Disc and Music Echo, 1969

Até dói de tão lúcido.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

02 março 2007

Salada Mista Sem Tomate #2



NOTA: Esta emissão deixou de estar disponível online por limite de capacidade do servidor.

Volta a ser verdade. Bem poderia ser mentira, mas é novamente verdade. Está feita e disponível a segunda sessão da Salada Mista Sem Tomate, um podcast vagamente alternativo com periodicidade incerta (não, isto não vai ser à razão de dois por semana).

Com reacções e estatísticas galacticamente acima das expectativas, a Salada Mista Sem Tomate é já um sucesso no eixo geográfico Portela de Loures-Moscavide. Ainda não o ouvi, porém, em lavabos públicos, pelo que se justifica que insista em fazer episódios.

Fique o excelso leitor com o alinhamento da segunda emissão:

1. Cansei de Ser Sexy: "Pretend We're Dead" (February 5th BBC in-studio session, 2007)
2. LCD Soundsystem: "North American Scum" (Sound of Silver, 2007)

3. Amy Winehouse: "Rehab" (Back to Black, 2006)
4. Shirelles: "Will You Love Me Tomorrow?" (The World's Greatest Girl Group, 1995)

5. Los Campesinos!: "You! Me! Dancing!" (MySpace, 2007)
6. Clap Your Hands Say Yeah: "Satan Said Dance" (Some Loud Thunder, 2007)

7. Kaiser Chiefs: "My Kind of Guy" (Yours Truly, Angry Mob, 2007)
8. Midlake: "Young Bride" (The Trials of Van Occupanther, 2006)

9. The Broken West: "Brass Ring" (I Can't Go On, I'll Go On, 2007)
10. The Go! Team: "Ladyflash" (Ladyflash, 2004)

11. Larrikin Love: "Edwould" (Freedom Spark, 2006)
12. Kings of Leon: "Ragoo" (Because of the Times, 2007)

13. RJD2: "Sweet Piece" (The Third Hand, 2007)
14. The Earlies: "No Love in Your Heart" (The Enemy Chorus, 2007)

Já agora, o link. Está aqui: SALADA MISTA SEM TOMATE.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Eterno balizeiro



Vi-o jogar durante muitos anos. Vi-o deixar de jogar no México, em 1986. Era um ídolo. Mesmo.

Morreu ontem, 1 de Março, sem que nada o fizesse prever. Não deambularei aqui em torno das recordações de Manuel Galrinho Bento.

Está tudo muito mais "objectivo" aqui. Ou, com todo o benfiquismo do meu grande amigo João Gonçalves, aqui.

Infelizmente isto não é do meu ouvido, mesmo sendo 1 pouco mouco.

01 março 2007

Video Maria 6



Este é um caso sério. Ia precisamente colocá-lo online e eis que uma pesquisa no YouTube resulta num resultado maravilhoso.

Explicando, esta é a short version do imperdível documentário Lusofonia, A (R)Evolução. Apresentado na edição 2006 do DocLisboa e aplaudido de pé, por aqui foi na ocasião esmiuçado nas páginas do finado UM.

O problema, digo eu, é que este filme devia ter uma visibilidade muito maior. Que este singelo gesto possa alimentar a vontade de levar o objecto a toda a parte onde se fale português. Ou mais longe, porque está muito bem legendado em inglês.

O serviço foi cumprido pela delegação portuguesa da Red Bull Music Academy e tem em João Xavier e Artur Silva os autores do guião. Respect.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

"Legendary"...



O seu primeiro álbum, Frank, nem chegou a passar-me pelos ouvidos. Se o facto tem ou não importância, é coisa que por agora me ultrapassa.

Importante é, na realidade, confessar publicamente o fascínio por esta personagem inglesa de escassos 23 anos. É impossível ouvir "Rehab", o propalado single que apresenta o álbum Back to Black, e sair da experiência como se nada fosse.

Causa alguma estranheza ouvir a canção em causa, rejubilar com o trabalho que Winehouse e Mark Ronson tiveram para criar aquele som devedor das Shirelles e de Phil Spector e perceber que a menina diz, na canção, não ter querido fazer a desintoxicação que lhe aconselharam.

É como se de repente nos dissessem que Popeye é, afinal, agarrado à marijuana e não aos espinafres. Nada contra, seria apenas perturbador.

Aos 23 anos, Amy Winehouse expõe-se que nem gente grande. Fala e canta sobre namorados ("Rehab" terá, alegadamente, surgido na sequência de uma separação), divaga sobre as suas momumentais e recorrentes bebedeiras e blackouts, explica por que fumava 200 libras de erva por semana.

Tem um código musical de intocável bom gosto e ainda tem aquela postura vagamente desalinhada. Camden, o seu bairro, pode ter alguma coisa que ver com isto.

Amy Winehouse é, actualmente, o retrato perfeito do artista pungente e dilacerado, inteligente e jocoso, charmoso num universo dito decadente.

Dedico-me a ler a entrevista que Amy Winehouse dá a Sylvie Patterson para a edição de Março da revista The Word. Talvez apenas outra mulher fosse capaz de iniciar a prosa com dois parágrafos tão irresistíveis:

"She's in her natural habitat, in what she calls "a proper pub", at 1am in New York, drinking Jack Daniels and coke and playing pool to the Sound of The Specials' A Message to You Rudi just like the "boy's boy" she'll tell you she is.

Amy Winehouse is wearing extra-low-rise skinny denim jeans and a miniscule sleeveless black T-shirt, a galaxy of tattoos across her arms and midriff including a huge new anchor and the words "Hello Sailor". The hair is big, backcombed and black, half doo-wop '60s bee-hive, half Morticia Addams ghoul, while the golden-lettered pendant swinging round her neck spells "Legendary""
.

Parece ter o mesmo efeito devastador em dois parágrafos de um Eça em dois capítulos.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

28 fevereiro 2007

Salada Mista Sem Tomate #1



NOTA: Esta emissão deixou de estar disponível online por limite de capacidade do servidor.

É verdade. Podia ser mentira, mas não é. Está gravada e disponível a primeira sessão de Salada Mista Sem Tomate, um podcast mais ou menos alternativo.

A coisa explica-se facilmente: se a rádio de hoje não me passa cartão, mais vale fazer algo que a rádio de hoje tem a menos. Refiro-me à militância, ao espírito das rádios piratas, à urgência de comunicar e divulgar.

Fica também o aviso: Salada Mista Sem Tomate é um podcast de periodicidade incerta. Vai-se fazendo e vai-se publicando. É uma questão de ir procurando por ele.

É este o alinhamento musical da primeira emissão:

1. The Good, The Bad & The Queen: "80s Life" (The Good, The Bad & The Queen, 2007)
2. Field Music: "A House is Not a Home" (Tones of Town, 2007)

3. Tokyo Police Club: "Citizens of Tomorrow" (A Lesson in Crime, 2007)
4. The Magic Numbers: "Take a Chance" (Those the Brokes, 2007)

5. The View: "Skag Trendy" (Hats Off to the Buskers, 2007)
6. Of Montreal: "Gronlandic Edit" (Hissing Fauna, Are You the Destroyer?, 2007)

7. Little Man Tate: "Man, I Hate Your Band" (About What You Know, 2007)
8. The Fratellis: "Vince The Loveable Stoner" (Costello Music, 2006)

9. Pop Levi: "Pick Me Up Uppercut" (The Return to Form Black Magick Party, reed. 2007)
10. The Sunshine Underground: "The Way it Is" (Raise the Alarm, 2006)

11. El Perro del Mar: "God Knows (You Gotta Give to Get)" (El Perro del Mar, 2006)
12. The Sounds: "Painted by Numbers" (Dying to Say This to You, 2006)

13. Noisettes: "Don't Give Up" (What's the Time Mr Wolf, 2007)
14. The 5.6.7.8's: "Harlem Shuffle" (Teenage Mojo Workout, 2002)

15. The Maccabees: "X-Ray" (NME Presents Essential Bands 2006)
16. Klaxons: "Isle of Her" (Myths of the Near Future, 2007)

Se o seu escritório, o seu automóvel, a escola dos seus filhos, o seu centro comercial, a sua estação de rádio ou os lavabos que frequenta não estão equipados com a Salada Mista Sem Tomate, faça-se ouvir. Proteste. Faça greve de fome. Contacte-me (é que continuo à procura de trabalho, sabe?).

Agora sim, o link para o que interessa. Aqui em baixo ou na barra do lado direito.

SALADA MISTA SEM TOMATE

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

23 fevereiro 2007

A Judite percebe o Hip Hop?



A Casa Blanca, empresa angolana de produção de espectáculos, fez publicar ontem, quinta-feira, na imprensa portuguesa o anúncio do cancelamento do Festival Hip-Hop Afroamericano (ver post anterior). Razão: a alegadamente escassa procura de bilhetes.

Oiço entretanto hoje, sexta-feira, que a Polícia Judiciária está já a investigar as actividades desta empresa. Segundo se sabe, há suspeitas de branqueamento de dinheiro. De resto, suspeitas comuns a muitos simples consumidores. Oxalá não estejamos perante um caso em que o mais inacreditável amadorismo possa ser entendido como indício de actividade ilícita.

A verdade, porém, é que cada contacto com a referida entidade angolana resulta numa estonteante miríade de situações absurdas. Instigado por um comentário no blog no programa Sociedade Civil (RTP 2) em que hoje participei, dediquei alguns minutos no site da Casa Blanca na internet a um suposto Festival marcado para Bruxelas. Sem data, apenas com nomes. Como o de Raul Indipwo, falecido em Junho do ano passado. Está aqui.

Muito honestamente, gostaria que este não fosse um caso de polícia. O que tenho a certeza é a de que é um caso estonteante e fascinante. Cujo desenvolvimento aguardo com, vá lá, moderada expectativa.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

21 fevereiro 2007

Sociedade Civil



A quem possa interessar:

Sexta-feira, dia 23 de Fevereiro, lá pelas 15h00, yours truly estará no programa Sociedade Civil, da 2:. Trata-se de uma emissão conduzida por Fernanda Freitas em que yours truly, Pacman (Da Weasel) e Rui Miguel Abreu (editor, jornalista e DJ) falam de hip hop, da música às correntes em metais preciosos e diamantes.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

19 fevereiro 2007

Uma pagina de Historia



Esta é uma semana em que Lisboa padece de alguma ansiedade. Não por o Benfica ser transmitido na televisão ou por Alberto João Jardim ter, como que num gesto de abnegação, pedido demissão do cargo de dono do arquipélago da Madeira. Lisboa está em polvorosa, isso sim, com a necessidade visceral se saber se no dia 22, 5ª feira, acontece ou não, finalmente, o Festival Hip-Hop Afroamericano no Pavilhão Atlântico.

Esta é, salvo erro, a terceira data agendada para este festival, cujos cartazes há alguns meses estão espalhados por Lisboa em garrafal dimensão. A imagem aqui reproduzida é a de um anúncio numa página inteira numa edição da passada semana de um diário desportivo. Como se poderá ver, o cartaz inclui 50 Cent, Akon, Busta Rhymes, Sean Paul (jamaicano, em boa verdade), Boss AC, Anselmo Ralph, Kalibrados e SSP. Se o festival acontecer, no dia 22 de Fevereiro ou em qualquer outro dia, parece ser um acontecimento, vá lá, histórico em Portugal. Nomes de primeira linha do hip hop norte-americano (numa perspectiva de popularidade), um português e três colectivos angolanos é coisa inédita.

O problema é, neste exacto momento, saber se o festival acontece, seja no dia 22 de Fevereiro ou em qualquer outro dia.

Falar de amadorismo poderia até soar arrogante e paternalista se a empresa que apresenta o evento, a Casa Blanca, não se auto-intitulasse, no seu site na internet, "A MAIOR COMPANHIA DE ESPECTÁCULOS DE AFRICA, UMA DAS MELHORES DO TERCEIRO MUNDO". Ipsis verbis.

O pior é que falar de amadorismo acaba mesmo por soar arrogante e paternalista. A única forma de escapar ileso a caluniosas acusações desse tipo é exprimir opinião, sem juízo valorativo. É o que farei, na forma de sugestões à empresa em questão:

1. Não abona muito a favor da credibilidade o adiamento sucessivo de um evento. Manda a prudência anunciar apenas o que é garantido.

2. Investir em publicidade televisiva, em páginas de desportivos e em outdoors de proporções cósmicas custa muito dinheiro. Além de ser prudente evitar multiplicar o número de campanhas pelo número de adiamentos, é importante encontrar designers e criativos que saibam fazer qualquer coisa ligada com essas funções. Evitar-se-ia, por exemplo, que um anúncio num jornal combine um imaginário tauromáquico com um outro de festa de aldeia em Agosto.

3. É simpático, e também importante do ponto de vista da despesa, aproveitar os anúncios já feitos para os adiamentos entretanto surgidos. Não é, porém, normal os anúncios conterem nesta altura a frase "Boas Entradas 2007".

4. Seja qual for a intenção que preside a uma coisa destas, não é aceitável que, nos citados anúncios, possa ler-se em rodapé: "PATROCINADOR: Você conhecerá no dia do festival". Transmite-se uma ideia muito clara de uma possível razão para os adiamentos.

5. Não é ideia brilhante anunciar, num site oficial, a realização futura de espectáculos de gente como Snoop Dogg, Nelly, Jay-Z, Nelly Furtado, Christina Aguilera, Jennifer Lopez, Ricky Martin, Craig David, Dr Dre, P. Diddy, Eminem, Janet Jackson, Destiny's Child, R. Kelly, Usher e... Michael Jackson. Sobretudo se as maiores produções até agora em mãos não andarem a resultar muito bem. Sugiro que se mantenham no site os artistas, que até são bons, mudando apenas o título da secção para "O Que Era Porreiro Era Contratar Um Destes".

Não sendo este um espaço de exercício da actividade jornalística, abstenho-me de fazer a investigação óbvia para o esclarecimento desta bizarria dos adiamentos do Festival Hip-Hop Afroamericano, garantidamente o mais importante de sempre em Portugal num determinado ponto de vista. Ficarei, no entanto, a acompanhar o desenlace do fenómeno. A ver se a coisa se dá na quinta-feira, por uma qualquer razão.

Até ao momento, os sites oficiais dos camones anunciados dizem não ter concertos agendados. Nem para 22 de Fevereiro nem para outro dia qualquer. Podem estar desactualizados.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

14 fevereiro 2007

Brevemente em todos os lavabos de todo o Portugal



Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

13 fevereiro 2007

Órgao de Soberania



A expressão que me ocorre, neste instante, é "vai lá, vai, e não leves a manta...". Esta coisa da necessidade compulsiva de ouvir música (nova) tem também coisas menos boas. Uma delas é a sensação de descoberta tardia de uma canção, um artista, uma banda. Ninguém gosta de sentir-se atrasado nesta matéria. Quer dizer, eu sou assim.

Por isso mesmo, tenho alguma dificuldade em conformar-me com o facto de só agora, ao segundo mês de 2007, dar atenção ao álbum Public Warning, de Lady Sovereign, "the biggest midget in the game". E havia razões mais do que suficientes para já o ter ouvido: a falta de resultados do trabalho com os Neptunes e o contrato assinado com a norte-americana Def Jam, comandada por Jay-Z, são bons exemplos.

Lady Sovereign havia já imposto a sua curiosa (ou como uma coisa tão pequena pode fazer um estardalhaço tão grande) presença quando em 2005 publicou o EP Vertically Challenged. Só que aí esta moça do tipo arrapazado andava ainda vagamente ligada à estética relativamente hermética do grime, tanto na versão The Streets como Kano. Neste seu primeiro álbum a sério, meus amigos, está um portento.

Ainda que mantendo uma atitude fiel à sua condição de inglesa de classe operária (há décadas que não vejo isto escrito), Lady Sovereign abre os horizontes e, subtilmente, aproxima-se do ideário conhecido de Jay-Z e da Def Jam. Ou seja, aquilo que muitos continuarão (com sentido) a ver como grime, outros tantos entenderão (igualmente com propriedade) a entender como hip hop. Basta que uns sejam ingleses e outros norte-americanos. Para quem se diz anã, Lady Sovereing mostra uma abertura que... "vai lá, vai, e não leves a manta".

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

09 fevereiro 2007

Diz-me que droga usas...



Por esta altura já o estimado leitor terá percebido que cabeça para escrever neste espaço é coisa que não anda por aí com fartura. Entre outros factores, há a necessidade primária de encontrar alternativas várias de sustento, cujo limite estará na actividade da venda do corpo. Segundo me parece, o mercado para pessoas com excesso de peso ainda não é compensador em Portugal.

Mas há, por vezes, fenómenos a que não é possível fugir, sobretudo se estivermos mais interessados na música e nos seus contextos do que no barulho das luzes. Não me estenderei muito na explanação da teoria. Não só porque ela não precisa de exaustiva demonstração como, a precisar, então que alguém como K-Punk o faça. O homem nasceu para isso.

Na sua mais recente edição, a estupenda XLR8R colocou na capa os Klaxons, uma das mais recentes descobertas tornadas possíveis graças à internet e a universos como o MySpace. Apesar da capa perturbadora para quem, como eu, se sente tão atraído pelo psicadelismo como pelas matemáticas aplicadas, colocar a banda britânica na capa da revista levanta questões interessantes. Desde logo, parece querer legitimar um movimento. E é aí que está o problema.

Vivian Host, editora da XLR8R, confessa que já desde o Verão passado ponderava a hipótese de dar expressão jornalística a esta vaga psicadélica que alegadamente tem nos Klaxons o expoente musical mais interessante e proeminente. Não o fez até aqui, é certo, mas desta vez cedeu à tentação de criar um fenómeno perfeitamente estéril. Diz Host, no artigo resultante de uma entrevista difícil, que os Klaxons retratam qualquer coisa como um movimento "new rave".

Vejamos: os Klaxons são uma boa banda. Muito boa, até, quando comparada com um punhado de coisinhas inofensivas que do Reino Unido anualmente surgem em barda. Mas são uma banda de rock com elementos punk e, ao que parece, um fascínio qualquer por aquele período tresloucado da transição dos anos 80 para os anos 90 do século XX. O período das raves, dos Happy Mondays e dos Stone Roses, do ecstasy e dos warehouses. Os Klaxons, estimado leitor, são três. O mais velho dos três tinha 10 anos quando todos os excessos se inscreveram na História da cultura popular.

Os Klaxons, em cujo álbum Myths of the Near Future se encontram de facto apreciáveis estilhaços sonoros dessa época de glorificação electrónica, têm também uma versão de "The Bouncer", original de 1992 do projecto Kick Like a Mule (onde esteve a génese da XL Recordings, editora dos Prodigy). Bouncer, caso o leitor não saiba, é a figura do porteiro de discoteca ou de uma qualquer festa, descontroladamente mitificada em Inglaterra ao longo dos anos. Partir desse facto, juntar-lhe um ou outro sample do período acid house e criar o movimento "new rave" é uma aberração. Acredite em mim, estimado leitor.

Que se saiba que, tal como o EP Xan Valleys, também o álbum Myths of the Near Future é um objecto de descoberta recompensadora. O que não tem sentido absolutamente nenhum é vender uma qualquer visão caleidoscópica do universo artístico lá porque a fusão de dois ou três elementos parece maravilhosa sob o efeito de um ácido.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

07 fevereiro 2007

Esclarecimento



Queira o leitor desculpar, se for caso disso, as minhas ausências vagamente prolongadas neste espaço. Justificam-se as ditas por haver, com alguma frequência, momentos em que nada conseguiria aqui escrever sem que o acto implicasse a partilha de visões profundamente acintosas daquilo que o universo tem mostrado ser. Terapia exorcista pública (ainda) não faz parte dos meus padrões de comportamento.

Dito isto, e remetendo-me para um post anterior, não quero deixar de afirmar publicamente que a campanha eleitoral relativa ao referendo sobre o aborto que mais me fascina é a protagonizada pelo Partido Humanista. É-me francamente impossível ficar indiferente ao amadorismo. E ao vídeo-amador. Defendam lá eles o que defenderem, têm o meu eterno respeito, para não dizer carinho.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.