29 novembro 2005

Demasiado bom para o cargo

Ronaldinho

Por muito que se conheça Portugal, há sempre um pormenor escondido pronto a fascinar-nos pela sua bizarria, pela sua invulgaridade, mesmo pela sua ousadia. Há factos com que pontualmente nos deparamos que sublinham a certeza de que habitamos um país verdadeiramente único. Um destes factos pode resumir-se à expressão "Excesso de Qualificações".

No meio profissional, o "Excesso de Qualificações" é uma coisa lixada com "f". Além do conhecimento de causa, de vez em quando vêm até mim incríveis casos desta não menos incrível patologia. Em Portugal, não são poucas as empresas (ou firmas, à antiga) que não têm a trabalhar consigo profissionais com qualificações mais do que suficientes para cumprir determinada função.

Apesar da habitual justificação "Excesso de Qualificações", a verdadeira razão do fenómino reside no facto de essas empresas (ou firmas, à antiga) terem uma imaginação galopante no que às expectativas de remuneração de outros diz respeito. Mas essa é outra questão e o que aqui importa reter é a gloriosa essência do "Excesso de Qualificações". O "Excesso de Qualificações" significa qualquer coisa como isto: "Este gajo é muito, muito bom. É tão bom que não o queremos". Ora isto, no cérebro de qualquer pessoa normal, é uma aberração digna de vénia.

Transpondo a coisa para o caso concreto para atribuir ao fenómeno "Excesso de Qualificações" dimensões verdadeiramente galácticas, ora veja o gentil leitor: um destes dias, o homem na foto, Ronaldinho Gaúcho, chega ao meu Benfica com vontade de jogar e nunca fala de números semelhantes àqueles que actualmente compõem o seu rendimento. Na ocasião, o seu interlocutor dir-lhe-á, com sentido pesar, que não pode ficar no clube por "Excesso de Qualificações". Não é maravilhoso?

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Apelo ao civismo

Manuel João Vieira

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

The Man speaks

Morrissey 1

Saltando rapidamente a parte em que o gentil leitor se questiona sobre a presença de uma singela notícia sobre este homem neste espaço (porque ainda não percebeu o especial apreço que nutro pelo homem), vamos ao que interessa.

Morrissey edita, no início do próximo ano, um novo álbum. Chama-se "Ringleader Of The Tormentors" e sucede ao mui inspirado e propalado "You Are The Quarry", de que este vosso servo tem maravilhosas recordações, sendo a maior delas o espectáculo na MEN Arena, em Manchester, 12 anos depois de Morrissey ter actuado "em casa" pela última vez. Adiante.

Numa sessão de perguntas e respostas para a fanzine True To You que versou também sobre assuntos como o seu vegetarianismo, os pontos mais altos da sua carreira, as suas grandes referências musicais ou a importância da Irlanda na sua vida, Morrissey falou publicamente pela primeira vez com algum pormenor sobre "Ringleader Of The Tormentors" (produção: Tony Visconti). Aqui estão as perguntas e as respostas que lhe dizem respeito. Na língua original, para não soarem ridículas:

P:
I think that Ennio Morricone is one of the great composers of our time. I regard the music to Once Upon A Time In America as a heartbreaking masterpiece. Is it true that Morricone has worked with you on your new album, and if so, how was it to meet Il Maestro and work with him?

R:
Yes, the Maestro came into the studio with his orchestra and worked on a song called "Dear God Please Help Me" – which was very flattering because he'd turned so many multi-million selling pop acts down (I won't mention their names – U2, David Bowie, etc.), so I was delighted that he said yes to scruffy old me. In the event, he was very shy, and he was heavily surrounded and shielded, and there was no way that he and I would end up at the local pub playing darts. But – that's OK. Life's rich tapestry, and so on.

P:
I am looking forward to hearing your work with Tony Visconti. At this time, is there more that you would like to share with your fans as to the overall sound of your new album?

R:
Firstly, the musicianship is outstanding. Secondly, the songs are very strong, which is a great thing to be able to say this far down the line. We were all very unified – everyone gets on very well, we are all very close friends, and everyone works for the common good, and there is never anyone pulling away – as there has been in the past. So, this all helped to make the album as good as it is – and we all know it is the best. It is not a continuation of You Are The Quarry, and it has no links to the past. Tony has been a very uplifting influence – has done a great job as producer and I'm honoured to have worked with him. Marco Martin, who engineered, also played such a big part in the overall sound, and we're all eternally thankful to him.

P:
Does the title of the new album, Ringleader Of The Tormentors, have a particular personal significance to you, and if so, what would that be?

R:
Yes, but if I tell you what it is I might put you off. Patience.

De caminho, fica também o alinhamento de "Ringleader Of The Tormentors":

1. "I Will See You In Far-off Places"
2. "Dear God Please Help Me"
3. "You Have Killed Me"
4. "The Youngest Was The Most Loved"
5. "In The Future When All's Well"
6. "The Father Who Must Be Killed"
7. "Life Is A Pigsty"
8. "I'll Never Be Anybody's Hero Now"
9. "On The Streets I Ran"
10. "To Me You Are A Work Of Art"
11. "I Just Want To See The Boy Happy"
12. "At Last I Am Born"

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

28 novembro 2005

A mente, essa gaja estranha

José Cid

Ao vasculhar o ambiente de trabalho de um dos meus grandes amigos, o meu iBook, deparo-me com esta foto. Mandou-ma uma amiga, há não muito tempo, no meio de uma conversa online e sem qualquer pré-aviso. Com o mesmíssimo apreço pelas atitudes sem sentido, aqui a coloco. Para saudar essa coisa maravilhosa que é a memória colectiva. E, com sorte, para despoletar gargalhadas semelhantes às que libertei quando abri o documento que me chegou sem qualquer pré-aviso, descontextualizado e, por isso mesmo, muito saboroso. Da mesma forma que não é nada fácil não acertar num único resultado no Totobola, também não é fácil ser-se absolutamente medíocre e patético. Por isso mesmo, esta fotografia merece a eternidade.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

"And her hearing aid started to melt..." Vol. X

Sonotone do dia:

Sinead O'Connor

Sinéad O'Connor: "Throw Down Your Arms" (Outubro 2005)

Veredicto:

O activismo social e/ou político, quando aplicado à criação musical, pode ser muito perigoso. Não exactamente perigoso para a saúde da humanidade, apesar daquilo que alguns moralistas limitados fazem crer, mas perigoso de um ponto de vista puramente estético. Amiúde concentrados num espírito de missão que tolda a actividade auto-crítica, os palradores das coisas políticas e sociais instalam-se com igual frequência num limbo de irrelevância musical ofensiva. Sinéad O'Connor há muito que se aproxima desse estado de desgraça, do ponto em que o cidadão se interessa mais por ouvir o que tem um músico a dizer do que por digerir os discos que faz. Alimentada numa cuba construída por núcleos intelectuais que não ouvem discos, a cantora irlandesa conseguiu, ao longo dos anos, tornar-se insuportavelmente previsível e tecnicamente entediante. Até este "Throw Down Your Arms". Ao invés de pregar a justiça moral e social, Sinéad O'Connor tratou de agir musicalmente. Vai daí, e espiritualmente encantada com o a magia da cultura jamaicana, gravou um álbum nos estúdios Tuff Gong, em Kinsgton, para o qual contou com os valiosíssimos préstimos da mais importante secção rítmica do mundo, Sly Dunbar e Robbie Shakespeare. Ao mesmo tempo que pegou em canções cujos créditos se repartem por gente tão distinta quanto Peter Tosh, Lee "Scratch" Perry e Winston Rodney. E pôs em prática exactamente aquilo que escreve no livro que acompanha o disco: "Maria Callas, quando questionada sobre como pode um intéprete encontrar a emoção certa para uma canção, respondeu: "O compositor tratou de tudo. Faça-se exactamente aquilo que o compositor escreveu". Por essa razão, mantive-me completamente verdadeira para com os originais, à excepção de algumas mudanças decisivas para a adaptação a uma voz feminina". Não é, "Throw Down Your Arms", o melhor disco que reggae que os primeiros anos do século XXI têm para mostrar. É, no entanto, uma viagem muito bem organizada por quem mostrou respeito pela coisa rasta e se soube fazer acompanhar pelos melhores no ofício. Isto é muito mais importante do que rasgar a fotografia do papa. 80,0% de satisfação garantida.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

25 novembro 2005

Anuncio que...

Megafone

... A partir daqui, no lado direito deste vosso espaço, vai crescendo o monstro GENTE MENOS MOUCA. É aquilo que vulgarmente se conhece como links, ligações e por aí fora.

Dois esclarecimentos acompanham este anúncio. Primeiro: o número de sites cresce em função da disponibilidade e da memória deste vosso amigo, e sem gradação de importância associada à sequência das novidades. Segundo: convirerão, pelo menos por ora, neste espaço sites tão diferentes quanto relativos a jornais, revistas, blogs, lojas e o que mais se puder imaginar.

Isto não tem nada a ver com o meu ouvido, mesmo sendo 1 pouco mouco.

Georgie, the Best

George Best

22 Maio 1946 - 25 Novembro 2005

Morreu hoje quem em tempos foi conhecido como "o quinto Beatle". Morreu o homem que, com escassos seis anos no topo do mundo futebolístico (apesar de a relação com o Manchester United ter-se estendido entre 1961 e 1974), aproximou o futebol da coisa pop, transformando-se num ícone que ultrapassou os limites da relva. E, no entanto, George Best era apenas um jogador do outro mundo com uma relação difícil com o álcool e com os espaços onde ele abunda. A sua ex-mulher dizia que não conseguia tratar de duas crianças, e George foi a preterida. George Best enterrou-se no fascinante universo da fama, da noite, do dinheiro e das mulheres. Aí perdeu sempre. Só o censura quem não sabe o que pode o álcool fazer a alguém. Morreu hoje um fenómeno. Morreu um transgressor, sabendo-se que a transgressão é com frequência o ponto de partida para o desenvolvimento. Ao abusar hoje do anglicismo "driblar", o espectador da bola nem sonha que foi com George Best que nasceu o verbo "to dribble". A lenda viva passou hoje a ser uma lenda morta. Uma lenda, na mesma.

E isto não é do meu ouvido, mesmo sendo 1 pouco mouco.

23 novembro 2005

"And her hearing aid started to melt..." Vol. IX

Sonotone do dia:

Bob Marley & The Wailers

Bob Marley & The Wailers: "Destiny: Rare Ska Sides from Studio One" (Outubro 1999)

Veredicto:

É muito pouco interessante divagar sobre a rica existência de Bob Marley. Sobretudo porque quase tudo aquilo que sobre ele se pode escrever não é mais do que o ruminar de tudo o que já foi escrito. Vale muito mais a pena falar do que mal se conhece, e é aí que entra este "Destiny: Rare Ska Tracks from Studio One", gentilmente editado pela Heartbeat há meia dúzia de anos. Repleto de temas virgens em CD e gravados por Bob Marley e os Wailers entre 1964 e 1967, "Destiny" é um cabaz que tanto contempla o decano ska como o lovers rock, com assinaláveis passagens pelo som que à Jamaica chegava com origem em casas como a Motown. Aquilo que pode parecer indefinição estética é somente o natural resultado de quem há 40 anos vivia para produzir tanta música quanto possível para a etiqueta de Coxsone Dodd. Apanhe-se, na quadra que aí vem, a edição que fecha ao som de "White Christmas". 87,2% de satisfação garantida.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

22 novembro 2005

E a tua terra, Mac?

Bob Geldof

O homem na foto sonha com a sua entrada no céu e posterior colocação na fileira dos beneméritos. Chama-se Bob Geldof, pensou o histórico Live Aid e é um músico cuja realização criativa é pouco mais do que desprezível. Os Boomtown Rats, de que outrora foi líder, serão sempre uma anedota pop quando à memória acorrem contemporâneos e concidadãos como, digamos, uns Kinks ou uns Small Faces.

Independente da sua existência como músico facilmente perecível, Bob Geldof sonha salvar o mundo da miséria. Com uma sofisticação tal que se diria pensada com os olhos no Nobel não sei do quê. Tanto o Live Aid como o Live 8, com duas décadas de distância, foram coisas maravilhosas, mais pela demonstração de sintonia social na classe artística do que pela música propriamente dita. Mas foram duas coisas maravilhosas.

Aqui há muito pouco tempo, Madonna, essa incontornável patega, entregou em Lisboa a Bob Geldof um prémio da MTV com nome de droga sintética habitualmente atribuído a entidades que se preocupam com as disparidades e crispações dos universos social e político. Muito bonito, blá blá blá. Madonna não criou mas ajudou a popularizar um monstro de que não precisávamos.

É que esta criatura, o patego formato masculino, recebeu ontem em Lisboa, na sempre anedótica Assembleia da República, o Prémio Norte-Sul 2005 do Conselho da Europa por alegado empenho em causas humanitárias. O mesmo empenho que, em Inglaterra, já lhe valeu o título de "sir". Que seja assim. Que, pelo menos, se assegure que um dia não vem "sir" Bob Geldof queixar-se de que em Portugal nunca lhe foi prestado reconhecimento oficial.

O pior é quando o homem se leva a sério, facto que sucedeu pela última vez exactamente ontem, em Lisboa. Deu-lhe, ao "sir", para o paternalismo e vai de enviar recados aos mais diversos responsáveis pela vontade popular no sentido de acabar com a fome em África. "Depois desta cerimónia, peço-vos que regressem ao hemiciclo e trabalhem para que Portugal possa forçar os grandes da Europa a mudar as suas políticas", disse, entre outras coisas, Bob Geldof. E os políticos portugueses presentes, como facilmente se imagina, pensaram em uníssono: "Caramba! Com a breca! Uns com tanto e outros com tão pouco... Ó cum camandro. 'Bora! 'Bora trabalhar!".

"Sir" Bob Geldof desconhece em absoluto a nossa História colonial e quer tanto dela saber como dos resultados da última jornada do campeonato australiano de futebol. O que realmente importa é que o homem, mesmo não sabendo do que fala, revele o completo domínio dessa coisa determinante chamada senso comum. "Sir" Bob Geldof, permita-me que lhe agradeça o facto de ter-me lembrado que Portugal é um país colonialista e que nas ex-colónias existe pobreza franciscana.

Mas, no meio disto tudo, há algo que se ergue e que orgulhosamente se assume como a bizarria da década. Na cabeça de qualquer criatura pensante surge a imagem de pessoas baralhadas que trocam perguntas como "ele fala estrangeiro, não fala?". São os políticos portugueses que ouviram o sermão de Bob Geldof. "De que é que ele está a falar, amor?". "Não sei, acho que o meu partido ainda não existia na época...".

Todo este patuá serve para dizer que Bob Geldof esteve na Assembleia da República para instigar os políticos portugueses de topo a fazer aquilo que já deviam ter feito - organizar convicto chavascal a propósito da miséria africana - e que nunca farão por nem sequer entenderem essa necessidade.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

20 novembro 2005

Publicidade amiga e assumidamente gratuita

Festa Mondo Bizarre 2005 (1)

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

19 novembro 2005

O enviado

Horace Andy 1

Horace Andy and The HomeGrown Band
Clube Lua, Lisboa
18 de Novembro

10 de Novembro de 1998. Passam sete anos e poucos dias desde que os Massive Attack fizeram a estreia do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, como sala vocacionada para concertos. Nesse espectáculo, que se mantém na memória de alguns milhares de pessoas pelo efeito hipnótico que produziu, Horace Andy subiu ao palco com o trio de Bristol para recriar as monumentais canções que com a banda gravou. Nesse espectáculo faltou Liz Frazer, dos Cocteau Twins, que registou "Teardrop", mas sobrou por todo o lado a alma e a voz de uma figura que muitos não imaginavam ter iniciado carreira na Jamaica do final dos anos 60 do século XX. Horace Andy, precisamente. Um eleito. Um enviado.

Salto cronológico. Horace Andy actua agora em nome próprio no Clube Lua, também em Lisboa. Entre ambos os acontecimentos, o especialíssimo cantor jamaicano viu alguma justiça ser feita sobre a sua preciosa obra, através de reedições dos seus contributos para o roots reggae, com natural evidência para os temas gravados para a Studio One do saudoso Sir Coxsone Dodd. Isso, a juntar a uma conjuntura muito favorável à disseminação do reggae em Portugal, faz acorrer ao espaço mais beto do Jardim do Tabaco um assinalável número de foliões preparadíssimos para entusiasmadamente emanar vapores diversos. Soa a lugar comum, é certo, mas isto tem qualquer coisa que ver com "boas vibrações".

Quem não sabia - 99% das pessoas, eu incluído - que banda era aquela que acompanhava Horace Andy nesta ocasião, ficou cedo a saber que era um combo magnífico, um colectivo francês com a alma posta em Kingston. De uma consistência impressionante apoiada por condições acústicas no limiar da perfeição, a HomeGrown Band distribuiu verdadeiros rebuçados de música ao mesmo tempo que oferecia lições de História da Cultura Jamaicana. Com uma secção rítmica que pontualmente se aventura com excelentes resultados pelos terrenos hipnóticos de Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, o grupo passeia-se com inesperada destreza entre apeadeiros como o roots reggae, o dub noutras ocasiões assinado por King Tubby ou mesmo o lovers rock. Uma revelação, no mínimo.

Sobre aquela gentil figura de t-shirt camuflada e dreadlocks respeitosamente grisalhos, o que há a dizer é o que esperava dizer-se antes de um concerto da gentil figura. Horace Andy é uma criatura raríssima, uma humilde e gigantesca presença que transporta uma voz impossível de tão delicada, de tão especial, de tão próxima da filigrana. Falar de empatia com a população é uma redundância, de tal forma se mostraram conhecimentos apurados quando soaram temas como os inevitáveis "Money" (também conhecido como "Money Money", "Money Money Money" e "Money The Root Of All Evil"), "Cuss Cuss" e "Skylarking".

Além do que lhe pertence por inteiro, Horace Andy traz ainda para o seu concerto as versões mais carnais de algumas das peças gravadas com os Massive Attack, concretamente "One Love", "Spying Glass" e o colossal "Hymn Of The Big Wheel". Isto já depois de a HomeGrown Band iniciar sozinha o concerto, cruzando riddims como "Angel", "Money" e "Cuss Cuss". Horace Andy é, com quase cinco centenas e meia de anos vividos, hoje um persistente e resistente transmissor dessa energia profunda que tem origem no roots reggae. É, precisamente, o oposto de um canastrão adormecido à sombra de um curriculum. O seu dom é tão natural que facilmente se confunde com o sagrado.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

18 novembro 2005

Actividade socio-cultural do dia

Horace Andy

Ver Horace Andy no Clube Lua.

Se a conjuntura estelar for favorável, ainda aparece por aqui um relato da coisa.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Um toque de classe borda fora

Pimpinha Jardim

(início de citação)

"Todos a bordo!

O cruzeiro a África foi uma locura. Pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas – como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com mais um BeOne on Board. Sexta-feira, embarque às 17h00, seguido dos devidos preparativos para o jantar de gala a bordo – mais tarde, já com as roupas trocadas, o festão decorreu em duas discotecas e quase ninguém dormiu, tal era a vontade de não perder pitada.

Sábado chegámos a Tânger por volta das 14h00, desembarcámo-nos e dirigimo-nos à Medina e ao mercado, com a ajuda de um guia – que tentou levar-nos a todo o lado menos aonde queríamos. O que quer que eu tente descrever não é nada comparado com a realidade. Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador. Por várias vezes tentaram aldrabar-nos, chegando a limites inauditos como o de nos pedirem três mil euros por uma garrafa de água! Apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim – e sendo eu loira não me senti nada segura ou confortável com a cidade... Resumindo, acabei por não comprar quase nada e voltei ao barco mais cedo do que era suposto. Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor.

A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada – e desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos “expulsos” dos camarotes às 9h00, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14h00. Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande – uma quebra inadmissível na segurança. Já cá fora, esperava-nos um grupo de policias, com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de mercadorias ilegais – e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!

De volta a casa, a única coisa que queria mesmo era a minha cama, onde caí redonda e só acordei na segunda para ir para as aulas. Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes – já estamos todos fartos dos lançamentos, “cocktails” e festas em terra!"

(fim de citação)

O excremento que acima se transcreve foi publicado, no formato de crónica, no semanário O Independente. É assinado por Catarina Jardim, que os mais dados às coisas mundanas conhecem como Pimpinha Jardim.

A moça já foi, desde então, achincalhada até mais não pela qualidade dos seus pensamentos e pela forma como os expõe no pedaço de lixo aqui citado. Chega disso. Na maior parte dos casos, uma pessoa limitada não tem culpa de sê-lo.

Rápida passagem por revistas "do social" mostram que Pimpinha Jardim é namorada de um jovem que é filho de Inês Serra Lopes. Inês Serra Lopes é directora d'O Independente.

Inês Serra Lopes, essa sim, perdeu a noção do ridículo logo depois de ter-se esquecido que o jornalismo, por muito que esteja entregue ao sector privado, tem uma ética, tem princípios e tem uma cartilha de exigências. Ou isso ou, por engano, mandou publicar na revista Vida Independente uma composição de escola primária escrita pela sua "nora".

Quem está a pedi-las, neste caso, não é a pobre moça Jardim. Quem cometeu este crime jornalístico foi a directora d'O Independente. E fazer humor com isto é tão fácil que se torna difícil.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

No teatro com Santana

Antes Eles Que Nós

"Antes Eles Que Nós"
Teatro Municipal S. Luiz, Lisboa
Até 10 de Dezembro

Este texto não tem qualquer utilidade. Pelo menos no sentido em que é habitualmente aferida a utilidade de um texto que tem como mote uma peça de teatro. Este texto não é informativo, é muito mau de um ponto de vista jornalístico e, mais importante, não é fácil ajudar quem quer que seja a decidir comprar um bilhete para uma peça que tem todas as sessões esgotadas até sair de cena.

Quando o dia é de sorte, é mesmo de sorte. É um gozo avassalador ver "Antes Eles Que Nós" na mesa ao lado da de Pedro Santana Lopes. Sobretrudo quando se conclui que as três personagens morreram num acidente com um táxi no Túnel do Marquês. Foi o que me aconteceu. Foi um dia de sorte, não me acontece sempre.

"Antes Eles Que Nós", a peça, é um exemplo perfeito de como a comédia é um género revitalizável. Que a dita se abre com lascívia para quem tem dedos para escrevê-la. Nisso João Quadros, autor do texto, não só sublinha a sua posição como dono de uma das línguas alarves mais deliciosas do "panorama" (salvo seja), como se mostra capaz dessa coisa olímpica que é colocar no papel, para ser encenada, uma história.

Uma história é uma coisa dificílima de contar. Uma história que mistura o mais desbragado nonsense com uma boa dúzia de setas envenenadas dirigidas a pessoas que nos habitam o quotidiano (de Alberto João Jardim a José Cid, de Manuela Moura Guedes a Filipe La Féria) é ainda mais difícil de contar. Quando, sem ter fumado nada de confiscável, um cidadão que se considera inteligente se ri até doer com o conteúdo de um diálogo, esse diálogo tem sérias possibilidades de ser de facto hilariante. João Quadros é-o.

Depois andam em cima do palco três pessoas mais do que familiares ao tal cidadão bastante comum. Dois deles, Bruno Nogueira e Maria Rueff, são apenas os actores de humor mais brilhantes das respectivas gerações. Manuel Marques, por seu turno, tem piada natural. Basicamente, os três fazem de si próprios, mas mortos.

Três artistas mortos à espera da entrada no Inferno, num Purgatório com sofás de design que escondem, debaixo das almofadas, desde tabaco a um revólver. Curiosamente, um dos delirantes ambientes da peça passa-se fora do Purgatório: Bruno Nogueira faz de Deus ganzado enquanto cria "o português". É, simplesmente, glorioso.

O que funciona como um excelente pretexto para afirmar categoricamente que Bruno Nogueira, apesar de um naturalmente curto trajecto nos palcos de teatro, é um fenómeno raro. É um daqueles escassíssimos casos de absoluta sintonia com os dias que por si passam, dono de uma naturalidade provocadora que faz com que pareça sempre não estar a representar. Foi isso, precisamente, que há tempo considerável me deixou extasiado na sua primeira aparição a que assisti no desequilibrado "Levanta-te e Ri".

No meio de uma multidão geracional que de um momento para o outro se achou capaz de fazer rir o cidadão, Bruno Nogueira está sem esforço muito acima dos outros. Claro que é pontualmente vítima do cinismo e da sobranceria de quem tem dificuldade em aplaudir o talento alheio, mas até nisso ele é de uma elegância desarmante. Só para nos esclarecermos, gosto muito do Bruno. É uma daquelas pessoas cujo número de telefone gosto muito de ter. Alguma coisa contra?

Eu disse que esta prosa não era útil nem jornalística. É apenas o relato de um serão de sorte. Rir até doer com Pedro Santana Lopes na mesa do lado é algo que tem que ser partilhado, digo eu.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

16 novembro 2005

"And her hearing aid started to melt..." Vol. VIII

Sonotone do dia:

Gogol Bordello

Gogol Bordello: "Gypsy Punks - Underdog World Strike" (Setembro 2005)

Veredicto:

Voltamos à história de a música ser com frequência um contexto. Não é musicalmente que os bizarros Gogol Bordello se revelam coisa absolutamente relevante. Fazem-no, no entanto, por serem produto do percurso do mentor do colectivo, Eugene Hütz, que passou as passas do Algarve na sua Ucrânia e como refugiado na Polónia, Hungria, Áustria e Itália. Antes de poisar a trouxa em Nova Iorque e, sem perder a ironia e o humor que outros teriam deixado pelo caminho, dar vida aos Gogol Bordello no ponto em que se cruzam as linhas do punk com a da música dita cigana com origem na citada Ucrânia. No momento, os Gogol Bordello não são, ironicamente, apenas "Gypsy Punks". São uma coisa, perdoai a expressão, mais global. No sentido em que muito mais conflui agora para o seu apeadeiro, nomeadamente a inesperada cultura jamaicana. Os Gogol Bordello deste álbum não são só um bicho exótico para os nossos dias de escapismo, daqueles habitualmente descritos como "banda sonora dos filmes de Emir Kusturica". São, antes, um descomplexado festim de alfinete na bochecha e faca na liga. 75,2% de satisfação garantida.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

Sinais de fumo

Busta Rhymes RC 2 (p)
Foto: Rita Carmo

Busta Rhymes
Pavilhão Atlântico, Lisboa
15 de Novembro

A materialização do rap em palco nunca foi assunto consensual. Percebe-se facilmente a razão. Quando, ao vivo, toma forma a vetusta fórmula "two turntables and a microphone", o rap encontra condições perfeitas para estatelar-se ao comprido numa intrincada cacofonia que em nada se parece com a produção em crescendo científico que marca os registos em disco. O problema não é esse saudável afastamento das memórias gravadas num objecto, mas o resultado desse afastamento. Busta Rhymes, que ontem à noite actuou pela primeira vez em Portugal, no Pavilhão Atlântico (Lisboa), ilustrou esta ideia com rara perfeição.

Injusto seria, no entanto, não começar a prosa pelo princípio. E ao princípio deve ser chamada a aparente anarquia organizativa de que foi feita a noite que tinha Busta Rhymes como cabeça de cartaz. Facto: dizia-se que o serão se inciaria entre as 21h00 e as 21h30 ao som de dois colectivos de hip hop oriundos de Angola; como Busta Rhymes só subiu ao palco às 22h30, e depois de uma embaraçosa sessão de DJ Scratchator como "animador" de uma curta populaça impaciente, os citados grupos ocuparam o palco em fim de noite, angariando numerosos abandonos na sala. Facto: o Pavilhão Atlântico estava constrangido de tão vazio. Pensar que a enchente que correu atrás de 50 Cent é coisa para repetir-se por sistema é, como se viu, um erro absoluto.

Busta Rhymes esteve pouco menos de uma hora a dar música aos foliões. Consigo estiveram, ao longo da função, Spliff Star como segundo MC e Scratch como manuseador de gira-discos. Os três foram, sem exagero algum, protagonistas de uma espécie de galhofada empenhada mas inconsequente, sabichona mas facilmente olvidável. Se por si só a parcimónia do formato não ajudou em nada o festim, a já lendária acústica do Pavilhão Atlântico tratou do resto, puxando para perto da simples vibração os discos de DJ Scratchator e fazendo andar irritantemente à solta as palavras debitadas por Busta Rhymes e Spliff Star.

Objectivamente falando, Busta Rhymes passou em rápida revista um percurso que se esticou entre a época dos Leaders of the New School (pré-1996) e o álbum a editar em Março de 2006, de que fez a fineza de mostrar dois brevíssimos excertos (não fosse alguém estar ali para colocar a coisa na internet, supõe-se...). O homem, nova-iorquino de nascimento mas abençoado por sangue jamaicano, tem uma qualidade assinalável que transportou sem mácula para o pavilhão lisboeta: um flow intrincado, por vezes estonteante, pontualmente circense (elogio), permanentemente evidente. Rima como estando sob o efeito do crossfader de uma mesa de mistura, acrescenta efeitos ragga onde só se pensava caber o rap, acelera e atrasa o passo das palavras como se estivesse telecomandado. O pior é que o resto, o que o envolve, não se eleva a nível idêntico.

Reconhecido amiúde mais pelas frequentes colaborações do que no trabalho em nome individual, Busta Rhymes não deixa de ir buscar beats que soam familiares como vindos de outras mãos. O que em nada chocaria o cidadão comum, não fosse a tal acústica estranhamente aberrante do Pavilhão Atlãntico abafar praticamente por completo qualquer arremedo melódico oriundo dos gira-discos. E a isso ainda se juntou o tal efeito cacofónico que as vozes frequentemente desligadas do planeta Terra provocaram, com tempos totalmente estuprados e cadências absolutamente desprezadas. Não foi raro ver quem não fizesse a mínima ideia de como mexer, mesmo que milimetricamente, o corpo. Se fosse ao som do que superficialmente ouvia, pareceria um epiléptico descontrolado.

Palrador encartado, Busta Rhymes fez-se ao público diversas vezes tentando contrariar a inóspita visão de uma sala vazia. Nesse âmbito, pediu erva para fumar e recebeu-a, ajeitou com afinco a genitália sobre as proverbiais calças largas, teve as suas tiradas misóginas que, quando não são absorvidas de forma literal, podem ter alguma graça. Foi, nesse aspecto, um MC à séria. Simplesmente, juntando os outros factores descritos chegamos à natural conclusão de que se passou um serão, digamos, agradável. Sendo que "agradável" está entre os cinco piores adjectivos aplicados à música de quem quer que seja. Busta Rhymes esteve, efectivamente, para ali a fazer sinais de fumo. Só que eles desfaziam-se no ar antes de ser decifrados.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

15 novembro 2005

Actividade socio-cultural do dia

Busta Rhymes

Ver Busta Rhymes no Pavilhão Atlântico.

Se a conjuntura estelar for favorável, ainda aparece por aqui um relato da coisa.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

"And her hearing aid started to melt..." Vol. VII

Sonotone do dia:

Test Icicles

Test Icicles: "For Screening Purposes Only" (Outubro 2005)

Veredicto:

O conteúdo completo de um ferro-velho passado por um shaker de design e servido em malgas de vinho não é muito diferente daquilo a que soa o primeiro álbum dos Test Icicles. O trio não é apenas vítima da loucura desenfreada com que um certo meio inglês tem tentado reinventar a pólvora (ou o rock), felizmente para todos. É antes um tapete de vidros partidos, estilhaços de rock e de punk, de hip hop e de noise, de imaginário contra-cultural e, inevitavelmente, do enferrujado disco-punk que marca muitos dos seus contemporâneos (conferir o segundo single, "Circle Square Triangle"). De metal e de hardcore gratuito. Quando se dá por uma honestidade inocente, sobem furos acima de coisa quejanda. 72,9% de satisfação garantida.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

14 novembro 2005

Apito Dourado na tropa

Jacinto Paixão

Não me faz confusão rigorosamente nenhuma colocar o meu intelecto em apreciação popular ao afirmar que sempre gostei de ver reality shows. Daqueles como deve ser, com pessoas que não conheço de parte nenhuma nem faço questão de conhecer. Que podem ser bandidos, mulheres-a-dias ou banqueiros, mas que ninguém fora do seu prédio sabe quem são ou o que fazem. E que, cientificamente, a partir do sofá é possível ver - respeitosamente - como figuras de laboratório para análise no âmbito das ciências sociais. Os reality shows alegadamente com pessoas famosas são outra coisa. Outra realidade, por assim dizer. São sinistros.

O senhor da foto, cuja telegenia nela se materializa com eloquência, é um dos figurões que ontem, domingo, deu entrada no reality show "1ª Companhia", na sua segunda edição em exibição na TVI. Chama-se, a criatura, Jacinto Paixão e exerce a actividade de árbitro de futebol, daqueles de categoria superior, que podem dirigir jogos do Benfica, do Sporting e do Porto. No caso, não pode. Está suspenso da actividade "apenas" por ser um dos alegados e numerosos envolvidos no processo conhecido como Apito Dourado. Exacto, aquele da corrupção, do favorecimento de clubes, do nevoeiro autárquico associado. A produtora de "1ª Companhia" está atenta. Não perdoa uma polémica. Pim!

Não há muito tempo, numa entrevista televisiva que creio ter cido concedida à SIC, Jacinto Paixão falou com alguma abertura sobre o alegado favorecimento do Futebol Clube do Porto num jogo específico. O caso envolvia, entre outras coisas, jantarada, profissionais da cópula e Reinaldo Teles, há muito figura proeminente do clube. De regresso à entrevista em questão, nela Jacinto Paixão confirmava a sua presença em locais associados à alegada trapaça, de um restaurante a um hotel. Como confirmava a realização de telefonemas "na bricandeira" - repito: "na brincadeira" - a propósito das tais profissionais da cópula. Como confirmava a presença de Reinaldo Teles em pontos do seu périplo pela Invicta. O problema é que o fazia com uma naturalidade preocupante, mostrando aparente incapacidade de associações mentais que se ensinam na Escola Primária. Este homem é agora, juntamente com um ex-realizador de filmes pornográficos, um dos vários candidatos ao papel de neo-estrela televisiva, pago a €2.500 por semana e com uma saborosa cenoura à vista no fim da "recruta" na "1ª Companhia".

Tudo isto me faz muita confusão. Não falando das implicações que a participação de criatura tão pouco interessante num programa de horário dito nobre pode ou não ter nas apreciações de um processo judicial que já lhe valeu a suspensão da actividade, faz-me ainda confusão o facilitismo bacoco, inane e risível a que o acto de criar qualquer coisa no universo da comunicação parece ter chegado. Imagine-se uma sequência num qualquer brainstorming na produtora da coisa:

- O que é que realmente queremos no programa?
- Polémica.
- Onde vamos buscar pessoas polémicas?
- No futebol e no sexo há sempre possibilidades...
- Era bom era um árbitro!...
- E eles alinham nisso?
- Espera lá, o Jacinto Paixão está sem arbitrar por estar ligado ao Apito Dourado!...
- Isso era fantástico... Anota aí: J-A-C-I-N-T-O P-A-I-X-Ã-O.

Da parte do sexo não é preciso falar muito, já que contratar "celebridades" como Alexandre Frota e Sá Leão são factos auto-explicativos. Falta, por enquanto, cometer a loucura de fazer polémica com a religião. E logo essa, que deve ter pilhas de graça.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

"And her hearing aid started to melt..." Vol. VI

Sonotone do dia:

The Paddingtons

The Paddingtons: "First Things First" (Outubro 2005)

Veredicto:

Não é a primeira vez que o digo, mas há sempre mais um a descobrir. São os comentários de gente desconhecida sobre este ou aquele disco que inundam a net. Ao mesmo tempo que ouvia o objecto, tropecei numa magnífica descrição do dito na Amazon inglesa. E aqui fica ele, sem a necessidade de qualquer palavra extra. 36,1% de satisfação garantida.

"Style over Substance

Let's get things straight: The Paddingtons look amazing.
O.k., they don't look very different from many fashionistas running around East London, but then they also play instruments, and attempt to create something with them.

Herein lies the mistake, of course they know how to work the guitar better than Sid Vicious, but composing music with originality is as far away from Paddington-Land, as selling overpriced Designer Clothes is from your nearest H&M. It's not even the singers voice being unlistenable or the band being incapable of playing their instruments, but without a good song in sight, it makes this album tolerable at best.

I am sure they are nice people, but this doesn't hide the fact that 'The Paddingtons' are style over substance. Maybe this works for 14 year old girls, who wanna date one of the 'cute guy that are way cooler than any of the boys in their year' and have never heard any music older than 4 years, or for 16-20 year old guys that are having their Rock'n'Roll moment.

For anyone above that age group it would be adviseable to let this record go pass ignored. It just feels a bit like trying on worn-out clothes from your parents that don't quite fit anymore".

Assina antonhart.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.