18 abril 2006

"And her hearing aid started to melt..." Vol. XIV

Sonotone do dia:

DFA Remixes Chapter 1

Vários: The DFA Remixes Chapter One (Março 2006)

Veredicto:

Algo que os anos mais recentes me conseguiram fazer temer é toda a criação musical a que se associa o termo electro, surja ele como prefixo, sufixo ou orgulhosamente só, o que é invariavelmente mais assustador. O caso é assim um pouco como o que. lá pela década passada, no domínio da electrónica, surgiu como adjectivo para muitos melómanos: intelligent. São, efectivamente, coisas que assustam, que fazem temer pela saúde colectiva. Curioso se torna, portanto, que a propósito de The DFA Remixes Chapter One brote na gente uma vontade quase irresistível de juntar os dois termos. Resistirei. James Murphy e Tim Goldsworthy, os homens que respondem pela editora de onde este disco vem, misturam com real porém reservada inteligência cânones que vão do disco ao funk, do house ao... erm... electro. E isto com uma inegável sabedoria que advém do simples facto de a dupla conhecer, respeitar e interpretar com pertinência os passos que os géneros citados foram dando ao longo dos anos. Em The DFA Remixes Chapter One compilam-se nove das diversas remisturas assinadas pela DFA nos cinco anos de actividade e que apanham os nada desprezíveis nomes de Le Tigre, Blues Explosion, Chemical Brothers, Soulwax, Radio 4 (provavelmente a única remistura conhecida de "Dance to the Underground" que, em nove minutos, consegue não recorrer ao proverbial refrão), Fisherspooner, Gorillaz, Metro Area e Hot Chip. O que, por isso e pelo ouvido apurado de quem mexeu nos originais, faz com que uma compilação que à partida corria o risco de repetir-se até à náusea funciona afinal em modo festivo sem que os ouvidos se queixem por agressão, bem pelo contrario. 83,1% de satisfação garantida.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

1 comentário:

  1. Raquel Pinheiro19 abril, 2006 02:20

    ando há dias a ouvir esse dia em modo repeat. para alguém pouca dada a remisturas como eu, é obra. ou melhor, é mérito do disco.

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