03 outubro 2005

Frankenreiter e a "musica jornalistica"

Donavon Frankenreiter

Hoje, num anúncio radiofónico transmitido na Radar, dizia-se a propósito do regresso em breve de Donavon Frankenreiter a Portugal qualquer coisa sobre "o espírito da música surf". Os rótulos são a coisa que são, nunca agradam especialmente, mas é o que muitas vezes temos à mão para tentar descrever o que toma conta dos ouvidos. E aí, uma coisa que me incomoda é a falta de rigor. Mesmo na publicidade, que muitas vezes despreza esse rigor.

Donavon Frankenreiter faz surf. Além disso, toca guitarra e faz umas canções. É um protegido de Jack Johnson, ou assim é apresentado amiúde. Jack Johnson é, por si só, também ele um fenómeno do Entroncamento quando se associa a pessoa a algo que tenha a ver com a chamada música surf. No máximo, encaixêmo-los a ambos naquilo a que em tempos recentes se chamou de cantautores. Normalmente são gajos americanos e têm o dom de escrever e cantar as suas próprias canções. Uma grande coisa, portanto.

Qualquer pesquisa, por muito pouco cuidada que seja, remeterá o mortal para um universo totalmente distinto deste quando se fala de música surf. Remeterá, forçosamente, para um Dick Dale, de quem pode dizer-se ter sido o difusor da guitarra que em boa parte marca a dita música surf, que vai além de uns Beach Boys (dos quais apenas um fazia surf) ou de uma dupla concorrente, Jan & Dean. Dick Dale, é esse o nome e é essa a música surf. É isso que está no propalado "Misirlou", que Tarantino ajudou a (re)popularizar.

Se já se passou a imagem de que Gentleman é um príncipe no reggae, que pelo menos não se veja Donavon Frankenreiter como um embaixador do "espírito da música surf". Só por uma questão de rigor. Ou deveremos chamar "música jornalística" a "Foram Cardos Foram Prosas", que Miguel Esteves Cardoso em tempos escreveu e que Manuela Moura Guedes posteriormente gravou?

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

6 comentários:

  1. Foda-se, és o maior, caralho. Peço desculpa pelos palavrões, mas, foda-se, o que é que se pode dizer mais?

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  2. Mas o que andam os surfistas da Linha a ouvir hoje em dia?

    Guitarras nervosas, speedadas e tremelicantes, ou um belo strummingzinho de paz, amor e anti-ritmo-fodido-do-mundo-moderno?

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  3. Eu não sei o que andam a ouvir, mas se até ouvissem Jack Johnson...não sei.
    De resto...diga-se aqui: não fosse este homem nunca teria havido o grande boom da múscia em Portugal. Como alguém já disse, és o maior...

    P.S: E para aqueles que ainda querem criticar o passado do BLITZ: não querem, não compram...

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  4. You talking to me, MLB?

    Se for o caso, obrigado pelas mais do que simpáticas mas também mais do que exageradas palavras...

    Bem-vindo.

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  5. Tive o prazer de adormecer ao som do Frankenstein no Sudoeste. Deve ser por essa qualidade das canções do rapaz que lhe chamam surf-music. É que aquilo são como ondas entorpecentes a bater-nos no corpo, um marulhar distante de solos indistintos e retórica Greenpeace acariciando corpos desprevenidos. "Vamos fazer uma fogueira e salvar três baleias antes de voltar à piscina do Sheraton com a prancha debaixo do braço?" "'Bora!, mas primeiro o Pedro tem aqui um cd do Dick Dale para te mostrar. Pode ser que mudes de ideias".

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  6. Um copo de Dick Dale & His Del-Tones por dia só faz bem e não faz mal.

    Que bom ver-te por aqui, amigo Beatle.

    Cheers!

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