
Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.
Esparsas prosas sobre música e miudezas circundantes.
Eu também estou indignado com a prepotência implícita.
Contacto para vinhos & petiscos ou ideias & letras: dubfreak@gmail.com


Eta lele, eta lele
Eta lele, eta lele
Eta lele, eta lele
Eta lele, eta lele
Eu fiquei 3 meses sem quebrar o barraco,
Sou feia, mas tô na moda,
tô podendo pagar hotel pros homens
isso é que é mais importante.
Quebra meu meu barraco 4x
Tati Quebra-Barraco: "Sou Feia, Mas Tô Na Moda"







"Gosto deste podcast. Revela novidades com bom gosto, alternando referências essenciais sem cair em revivalismos da moda. Concilia suavemente a descoberta de novas propostas com o conforto de terrenos familiares. O sample dos Negativland no gernérico inicial conquistou-me de imediato. Bookmarks com ele! Parabéns pelo bom serviço prestado".


De Coimbra para Nova Iorque
Seis anos depois de terem dado o seu último concerto, é de uma elementar facilidade fazer a elegia dos Tédio Boys, rotulá-los como o mais importante fenómeno cultural da cidade de Coimbra dos últimos 15 anos ou o mais fracturante colectivo de rock’n’roll que Portugal viu nascer depois dos Xutos & Pontapés.
É fácil, muito fácil, encher o peito para perguntar a alguém onde estava em 1992, quando o fenómeno começou, mas Filhos do Tédio não cai, felizmente, na armadilha da memória emocional. Tem, sobretudo, o mérito de ter a frieza documental que se exige e um conteúdo que não só alinha acontecimentos como gera pensamentos vários sobre a pequena condição de ser português.
Depois de assistir aos 50 minutos de Filhos do Tédio, a reacção natural do melómano activista é a da relativa frustração por não se ter dado conta de tanto se ter passado. Está ali tudo concentrado: do primeiro concerto na rua, à porta do Infinito, ao último concerto, em Figueiró dos Vinhos; do quase motim com invasão policial no Pavilhão da Palmeira às três digressões pelos Estados Unidos com passagem pelo aniversário de Joey Ramone; das memórias das Voodoo Dolls aos papéis de Fernando Pinto e Ernst Weber, determinantes na aventura americana.
Filhos do Tédio não tem, tal como os Tédio Boys não tinham, ambições estéticas astronómicas. É, acima de tudo, resultado de um assinalável labor de recolha e montagem de memórias visuais e sonoras, como se o rock’n’roll se encaixasse em menos de uma hora. Numa era marcada, em Portugal, pelo desânimo artístico e por uma constrangedora resistência à mudança brusca, Filhos do Tédio é como que o somatório das memórias da frustração e da reacção a essa frustração. É o retrato da arte de correr riscos.


