12 janeiro 2006

A Naifa, a Noite, a Gripe, o Orgulho

A Naifa

Há algo de especial nesta madrugada. E não é a meretriz de uma gripe nem uma ferida infectada no braço provocada pelo pior relvado sintético do universo que abala este composto feito de orgulho e flutuação nocturna.

Lá pelas 11 e meia da noite, Luís Varatojo saiu de casa e à porta de um deserto Cinema Quarteto, entregou-me, numa das únicas partes descobertas do meu corpo torturado pela anestesia gripal, as mãos, o segundo álbum d'A Naifa. Senti há pouco o iBook e as sensuais e alvas colunas Creature II da JBL agradecer-me o privilégio.

Esta noite começo a pensar naquilo que vou escrever. A Naifa, que para mim editou em 2004 o melhor álbum português (e aqui "português" assume contornos quase sublimes) desse ano, "Canções Subterrâneas", desafiou-me para escrever o texto de apresentação deste segundo tomo de um percurso que irá até onde Luís Varatojo, João Aguardela, Vasco Vaz e Maria Antónia Mendes queiram que vá.

Estou simultaneamente agradecido, orgulhoso e assustado com esta coisa de pôr em palavras aquilo que a 2 de Março chegará ao circuito normal de distribuição. Rui Monteiro e Miguel Esteves Cardoso já transmitiram da forma única como cada um deles o faz todo o universo que dá forma ao imaginário d'A Naifa. Sobre o disco, perdoai os mais ansiosos, nada direi por ora. Até porque Luís Varatojo, quando me telefonou pela primeira vez para este propósito, me disse entre risos: "Não o ponhas já na net".

Lembrando Farinha Master e os Ocaso Épico, obrigado.

Mas isto pode ser do meu ouvido, que é 1 pouco mouco.

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